Aquidauana
Corpo do indígena Terena foi levado para a comunidade nesta segunda-feira, em cortejo acompanhado por familiares, amigos e moradores
Publicado em 11/08/2026 às 08:13
A Aldeia Ipegue, em Aquidauana, se despediu de Gilmar Francisco Joaquim, de 38 anos, conhecido carinhosamente como “Foguinho”, nesta segunda-feira (10). Morador da comunidade e indígena do povo Terena, ele foi vítima de uma violenta agressão durante a madrugada de domingo (09), em Campo Grande.
O momento da chegada do corpo e do cortejo foi marcado pela presença de familiares, amigos e moradores que fizeram questão de acompanhar Foguinho em sua última passagem pela comunidade onde vivia.

Cortejo aconteceu nesta segunda-feira - Reprodução
O caixão foi transportado em uma viatura do Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais) e seguido por carros e motocicletas. Muitas pessoas também fizeram o trajeto a pé, acompanhando o cortejo e prestando suas últimas homenagens.
Agora, na Aldeia Ipegue, localizada na Terra Indígena Taunay/Ipegue, ficam as lembranças de Foguinho entre aqueles que compartilharam sua vida, sua rotina e sua presença na tradicional comunidade em Aquidauana. A despedida desta segunda-feira reuniu pessoas que, de diferentes maneiras, fizeram questão de acompanhá-lo até o último momento.

Comunidade se reuniu para o último adeus a Foguinho - Reprodução
O crime
Gilmar foi morto após ser violentamente agredido no Beco das Cordas, no bairro Tiradentes, em Campo Grande. Ele estava acompanhado de outro homem, que também foi atacado e precisou ser levado para a Santa Casa de Campo Grande.
A PM (Polícia Militar) foi acionada por volta das 03h20 de domingo para atender inicialmente uma ocorrência de lesão corporal. No local, Gilmar foi encontrado caído e com graves ferimentos no rosto, que estava desfigurado. Uma equipe médica constatou a morte ainda no beco.
A motivação da agressão ainda é investigada. Uma das versões levantadas aponta que o conflito teria começado após uma discussão envolvendo uma motocicleta que havia sido utilizada e danificada. A vítima teria reclamado sobre os estragos, mas decidido não cobrar pelo prejuízo. Posteriormente, os envolvidos teriam retornado ao local e iniciado as agressões.
O homem que acompanhava Gilmar também foi atacado, mas conseguiu fugir mesmo ferido e pedir ajuda a moradores. Ele foi socorrido em estado grave e levado para atendimento médico.
A irmã de Gilmar, que preferiu não se identificar, contou que o irmão não tinha histórico de conflitos e era considerado uma pessoa tranquila pela família e pela comunidade. Segundo ela, os dois residiam há bastante tempo em Campo Grande, sem qualquer histórico de desentendimento.

Crime aconteceu no Beco das Cordas, no bairro Tiradentes, em Campo Grande - Reprodução/Campo Grande News
Suspeito preso
Horas após o crime, um homem apontado como suspeito da agressão foi localizado pela polícia e preso. Segundo o registro policial, ele teria admitido participação no ataque e relatado ter utilizado uma pedra para atingir Gilmar.
O suspeito foi encontrado no bairro Tiradentes, com a mesma roupa que teria usado durante a agressão. Conforme o boletim de ocorrência, havia uma mancha de sangue na calça. A Polícia Civil segue investigando a participação dos demais envolvidos e a dinâmica do crime.
O caso foi registrado como homicídio simples e homicídio simples na forma tentada na Depac (Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário) Cepol.
AQUIDAUANA
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