Exército
Do nascimento em meio à Segunda Guerra Mundial à presença permanente no coração do município, Batalhão Carlos Camisão construiu uma trajetória marcada por coragem, engenharia e serviço ao Brasil
Publicado em 06/10/2026 às 17:12
9º BE Cmb completa 84 anos de criação nesta terça-feira / O Pantaneiro
Há instituições que fazem parte da história de uma cidade. E há aquelas que, com o passar do tempo, tornam-se parte da própria identidade do lugar. Em Aquidauana, o 9º BE Cmb (Batalhão de Engenharia de Combate - Carlos Camisão) é uma dessas instituições.
Nesta terça-feira (06), a unidade do Exército do município completa 84 anos de criação, celebrando mais de oito décadas de uma trajetória que atravessa momentos decisivos da história brasileira e mantém uma relação estreita com Aquidauana e sua população.
A história começou oficialmente em 06 de outubro de 1942, quando o 9º Batalhão de Engenharia foi criado pelo Decreto nº 4.799 e organizado inicialmente no quartel do 1º Batalhão de Engenharia de Combate, no Rio de Janeiro. Pouco depois, a unidade deslocou-se para Aquidauana, estabelecendo no município uma presença que atravessaria gerações.
Embora o atual batalhão tenha sido criado em 1942, a história militar do local onde hoje está instalado o 9º BE Cmb é ainda mais antiga.
Estudos históricos apontam que o aquartelamento foi inaugurado em 21 de abril de 1923, inicialmente para sediar o 6º Batalhão de Engenharia. A escolha de Aquidauana estava relacionada à importância estratégica da região e à presença militar que já vinha se consolidando no município desde as primeiras décadas do século XX.
Assim, quando o 9º Batalhão chegou a Aquidauana, encontrou uma cidade que já possuía uma relação histórica com o Exército e com a Engenharia Militar.
Era o início de uma nova página dessa história.
Poucos anos depois de sua criação, o mundo estava mergulhado na Segunda Guerra Mundial. O Brasil decidiu enviar tropas para combater na Europa, formando a FEB (Força Expedicionária Brasileira).
O 9º Batalhão de Engenharia integrou a FEB e tornou-se a única unidade de Engenharia do Exército Brasileiro a participar da campanha da Itália. Seus militares atuaram em condições extremamente difíceis, apoiando o avanço das tropas brasileiras e realizando trabalhos fundamentais de engenharia durante o conflito.
A unidade participou das operações relacionadas às conquistas de Monte Castelo, Castelnuovo e Montese, episódios que entraram para a história da participação brasileira na Segunda Guerra Mundial.
A atuação deixou marcas profundas na identidade do batalhão. A unidade recebeu Citação de Combate, e sua Bandeira Nacional foi agraciada com a Cruz de Combate de 1ª Classe, além da Ordem do Mérito Militar.
Para Aquidauana, aquela guerra distante também passou a fazer parte da memória local. Jovens que pertenciam à comunidade foram incorporados ao esforço de guerra e partiram para uma missão que os levaria para longe de suas famílias e de sua terra.
Em 1956, o 9º Batalhão de Engenharia de Combate recebeu a denominação histórica “Carlos Camisão”, em homenagem ao militar que comandou uma das colunas brasileiras durante a Retirada da Laguna, episódio da Guerra da Tríplice Aliança.
O nome estabeleceu uma ligação simbólica entre diferentes momentos da história militar brasileira e a própria história regional.
O estandarte histórico da unidade também passou a carregar símbolos relacionados à trajetória do batalhão, incluindo sua participação na Segunda Guerra Mundial.
Ao longo de 84 anos, o batalhão deixou de ser apenas uma organização militar instalada em Aquidauana para tornar-se parte do cotidiano da cidade.
Militares passaram pelo município, constituíram famílias, criaram vínculos e, muitas vezes, permaneceram na região mesmo depois de encerrado o período de serviço ativo.
Ao mesmo tempo, gerações de aquidauanenses tiveram contato com a rotina da caserna, seja por meio do serviço militar, das cerimônias, das atividades esportivas, das ações sociais ou dos eventos promovidos pela unidade.
A relação também se estende às demais instituições. O batalhão mantém, ao longo dos anos, vínculos com escolas, universidades, órgãos públicos, forças de segurança e diferentes segmentos da sociedade.
Um exemplo dessa aproximação são atividades como a tradicional Regata da Engenharia, realizada no rio Aquidauana, que já reuniu militares, bombeiros, policiais e integrantes da comunidade em uma competição que alia espírito de equipe e integração.
A Engenharia do Exército tem como característica o emprego de conhecimento técnico para garantir mobilidade, apoio às operações e capacidade de atuação em diferentes cenários.
Essa vocação ganha importância especial em uma região como o Pantanal, marcada por rios, grandes distâncias e desafios próprios do território.
Ao longo de sua trajetória, o 9º BE Cmb também esteve associado a ações de apoio à sociedade, atividades de infraestrutura, operações e respostas em situações que exigem capacidade logística e operacional.
Em 2025, ao completar 83 anos, a unidade foi novamente homenageada em Aquidauana, com solenidade que reuniu autoridades civis e militares e homenageou pessoas que contribuíram para a história e o trabalho do batalhão no município.
Mais do que números, medalhas, operações e solenidades, os 84 anos do 9º Batalhão de Engenharia de Combate são feitos de histórias humanas.
São histórias de soldados que partiram para a guerra, de militares que dedicaram anos de suas vidas à instituição, de famílias que acompanharam transferências e mudanças, de ex-combatentes lembrados pelas novas gerações e de aquidauanenses que aprenderam a reconhecer o toque da corneta, a farda e o tradicional “Ao braço, firme!” como elementos da paisagem da cidade.
É também a história de uma instituição que atravessou mudanças políticas, sociais e tecnológicas sem abandonar valores como disciplina, coragem, espírito de corpo e compromisso com a missão.
Hoje, 84 anos depois de sua criação, o 9º Batalhão de Engenharia de Combate – Batalhão Carlos Camisão continua escrevendo sua história em Aquidauana.
Uma história que começou em um momento de guerra, atravessou continentes, voltou ao coração do Brasil e permaneceu ligada às margens do Rio Aquidauana.
São 84 anos de Engenharia, de Exército e, sobretudo, de uma história construída também junto com Aquidauana.
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