Esportes
A corrida abriu o portal do patromônio como um importante evento turistíco de preservação ambiental mundial
"Uma supresa". Foi assim que Rita Jurgielewicz considerou a Pantanal Marathon, que teve como palco no último sábado (14), a sua propriedade: a Fazenda Baia das Pedras, no Pantanal de Nhecolândia, em Aquidauana. No local, os atletas estavam presentes e integrados. Receptividade e acolhimento deram o tom para o evento inédito que uniu esporte e meio ambiente, segundo Rita. "Uma experiência que trouxe pra gente um querer fazer mais, fazer melhor".
A Pantanal Marathon veio logo após o perído de uma dura seca e para a Baia das Pedras, marcou o momento da chegada e da volta das águas dentro da maior planície alagada do mundo. "A expectativa antes da maratona foi que a gente estava numa seca grande. Com quinze dias antes, a gente começou a ter uma chuva, tivemos uma numa semana e na semana seguinte tivemos outra e a paisagem mudou completamente, tava tudo verdinho. O Pantanal tava lindo, a fazenda tava linda. O pessoal chegou aqui com chuva".
Sob as águas vindas do céu, os atletas chegavam. Uma preocupação que sinalizou o quão fortes eram os participantes da prova.
Barracas molharam, tiveram que reorganizar o refeitório. "Eram 130 pessoas! Foi um pouco difícil, mas a gente sabe que consegue. O muito legal disso tudo foi que a chuva trouxe coisas boas. A gente estava apreensivo com calor, muito quente pros atletas, o medo de passarem mal com o calor, com o esforço físico. A chuva foi boa pra eles, deu aquela refrescada. Tudo veio para ficar mais gostoso. Deu tudo certo e saiu todos felizes. Esse foi o grande desafio".
A Bolt e Atletas pelo Planeta realizaram o plantio de mudas de árvores pantaneiras. Uma medida planejada como compensação por conta das queimadas. Rita disse que o plantio de árvores definiu a grandeza do evento. Para ela, assim o Pantanal Marathon entra com alto nível no circuito de corridas da América do Sul. "Ocupa-se agora o espaço do turismo, novas ideiais. Um novo nicho de atividade para que a gente possa fazer em outras épocas de baixa do turismo, preservando, conservando com a participação do Mil pelo Planeta. Tudo isso se torna um evento anual dentro da maratona. A conexão é formada por tudo isso!".
Conheçam o Pantanal correndo. Venham fazer a prova ano que vem
Para um dos principais nomes do trail run do Brasil, Marcelo Sinoca, um dos organizadores da corrida, o período chuvoso no Pantanal deixou o terreno pesado, ou seja, com muita água e isso aumentou o nível de dificuldade para os atletas. "Estava programada para ter três travessias de água durante todo percurso - 12 km, 21 km e 42 km. É impressionante, faltando 48 horas para a largada, essa conta já subiu pra cinco travessias de rio e no total, depois de uma grande chuva que deu antes da largada, na sexta-feira, tivemos mais de seis travessias de rios no total. Essa incerteza no Pantanal é o que mais me chama atenção e também é o que deixa a prova mais desafiadora. E pra mim esse é um ponto positivo porque fica mais bonito, a prova fica mais única. Essa prova realmente teve um toque especial devido à travessia a mais que tivemos no percurso".
As características únicas do Pantanal, de difícil acesso tornam a prova muito especial, pois segundo Sinoca, nada pode ser comparado a experiência vivida pelos atletas que participaram dessa maratona. "É difícil compara com outras da América do Sul. O que chama a atenção pra mim particularmente porque normalmente a gente organiza provas com montanhas, elevadas altimetrias. Por conta de ser uma planicíe gigantesca, por exemplo nos 42 k, não teve nem 50 metros de ascenção. Isso é novo em provas de trail, consideradas maratonas. Isso não deixou de ser dificil por causa do terreno, por causa da areia, por causa das travessias de água. Falei com muitos atletas pós a chegada e a maioria falou: 'Foi uma prova difícil e as pernas vão ficar lembrando desse percurso a semana toda'". "Não consigo comparar com outra prova da América do Sul já que é uma prova única, totalmente diferente que os atletas da América do Sul já fizeram".
Segundo Sinoca, em quase 25 anos de trilha de montanha no Brasil e no mundo, a única prova, que se assemelharia em nível de dificuldade, foi a Jungle Marathon Brazil, no coração da floresta nacional do Tapajós (Sudoeste do Pará, é uma das unidades de conservação ambiental mais visitadas da Amazônia, no Norte do Brasil). "Foi uma distância maior, seis dias de prova, 260 quilômetros, mas o terreno lembrou muito o Pantanal por causa das várias travessias de águas, a quantidade grande da areia fina e por causa do calor".
Quem mora na região Sudeste, como Sinoca, recebe muitas notícias sobre as queimadas na região Centro-Oeste do País. Segundo ele, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, na Baía das Pedras, na Nhecolândia, da Dona Rita e Doio, não vi rastro de incêndio. Mesmo estando longe de tudo e de todos, o estoque deles é muito bonito e organizado. Podemos sempre falar da importância de se preservar e também de dizer que o Pantanal é lindo e maravilhoso e protegido por famílias como da Rita e do Doio".
Pra finalizar, o embaixador da prova, Marcelo Sinoca disse que deseja cumprimentar cada atleta com um muito obrigado. "Eles foram pra uma prova de corrida que envolveu três estágios de aventura. Três desafios. Pra chegar na largada já foi um desafio. Tiveram que ir até o final de estrada de terra, no Corixão, e entrar em transporte da organização para cumprir os 50 quilômetros finais com 18 porteiras em vários trechos alagados e de areia para chegar até a Baia das Pedras, onde foi a largada. Esse foi o primeiro desafio e aventura de resistência dos atletas. Depois teve a corrida, que foi única, percurso único. O sinônimo do Pantanal pra mim é autossuficiência. Desde o staff, cada melância, cada sopa paraguaia, cada pessoa, foi uma trabalheira pra chegar ali. Todo mundo com sorriso no rosto e chuva correndo solta". "Se fosse pra escolher entre chuva e um céu azul com sol, eu escolheria a chuva com certeza. Foi muita sorte".
"Quem correu essa prova, com certeza entendeu o esquema do Pantanal, entendeu a aventura que iriam passar e aceitaram viver realmente a vida do pantaneiro, onde estão dispostos a tudo".
Carro atolado, tratores como apoio sob chuva para enfrentar desafios e contar com a parceria das pessoas da fazenda que vivem e conhecem o Pantanal. Tudo isso traduziu a aventura e possibilidade de convivência com gente forte e calma, como Sinoca definiu os pantaneiros e pantaneiras da Baía das Pedras.
Segundo o atleta, os participantes viram uma grande experiência de vida, o que chamou também de "uma grande imersão". "Até brinquei com o Carlos (organizador Carlos Porto) falando que essa prova está se tornando um objeto de desejo. Tem muitas pessoas que não conhecem o Pantanal e conhecer o Pantanal dessa forma correndo a cada quilômetro, a cada água que passa ali, a cada bicho, fauna e flora é incrível. Essa prova tem muita personalidade forte e única e tem tudo pra crescer".
Para 2025 vai ser anunciada a nova data, mas Sinoca já se adiantou e disse que a novidade da segunda edição será disponibilizar para o atleta inscrito poder fazer uma visita nos locais onde poderão ver os animais. "Conheçam o Pantanal correndo, venham fazer nossa prova ano que vem!".
No mesmo sentido de Sinoca e Rita, o organizador da prova, Carlo Porto, da Bolt, enfatizou: "Na Pantanal Marathon, ficou muito clara que a presença humana ajuda na preservação do Pantanal!". Porto explicou ao dizer que o respeito e a divulgação do evento em todo o mundo dão a visibilidade para a grandeza do bioma e o quão importante é para o planeta Terra. "A Pantanal Marathon faz a marcação como uma das mais importantes provas de trail do Brasil dentro da maior planície alagada do planeta. Um desafio único. Andamos 300 km de caminhão, carro aberto. Enfrentamos off road com carro atolado. Tudo fez parte desse grande evento. Estamos prontos para 2025 e todos que participaram já disseram que vão estar na próxima edição. Obrigado a todos que viveram essa experiência única com a gente!".
Uma das atletas traduziu o que foi mergulhar em águas pantaneiras. Para Regina Santos, campeã 42k, correr uma maratona dentro do Pantanal foi um novo desafio para o seu currículo de atleta experiente. "Superar através de muitos treinos e resiliência a mim mesma! Uma briga constante entre o corpo e a mente! Uma força que mistura medo, emoção e foco! Queria correr e fazer o meu melhor! A Chuva te ajuda em questão do clima e faz com que se esforce o dobro pra correr em terreno alagados e bacias de água onde seus pés têm que passar com muito mais força! Sem contar o medo dos bichos. Emoção do começo ao fim de todo o processo para participar dessa corrida! A alegria de ter vencido com a própria estratégia a maratona do Pantanal! Só agradecer prova incrível pra se vivenciar".
A prova foi dividida em 3 percursos 12K, 21K e 42K e todos tinham uma travessia em parte da Baía onde os atletas tiveram como participantes, os verdadeiros donos do cenário: jacarés, aves e capivaras. A largada da prova foi debaixo de chuva e isso, amenizou o calor e em contrapartida, ajudou no desempenho dos participantes.
A prova teve a participação de atletas de Brasília, Paraná, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, São Paulo e de países como Peru e Inglaterra. Eis aqui os campeões e campeãs:
Percurso 12K:
Categoria feminina: Laura Kelly. Tempo: 1h25 minutos.
Categoria masculina: Adolfo Rojas. Tempo: 1h13 minutos.
Percurso 21K:
Categoria feminina: Lucilene Aristimunho. Tempo: 2h13 minutos
Categoria masculina: Dyego da Silva. Tempo: 1h50 minutos
Percurso 42K:
Categoria feminina: Regina Santos. Tempo: 6h13 minutos
Categoria masculina: Anderson Clayton Diniz. 4h01minuto
Após a prova, sob chuva, os atletas puderam reverenciar o paraíso chamado Pantanal com o plantio de árvores nativas para o Bosque dos Atletas, uma lembrança para a posteridade, numa organização da Mil pelo Planeta numa parceria chamada Atletas pelo Planeta.
O Instituto Imolê e a Bolt Realizações foram os realizadores da primeira edição da Pantanal Marathon e teve o apoio imprescindível do Hotel Fazenda Baía das Pedras, do Ministério dos Esportes, do Governo do MS, da Fundesporte e das empresas Amapil, Servsal, Discruz, Documenta Pantanal e Pereira Hortifruti.
Estrutura
O Pantanal Marathon reuniu 60 atletas brasileiros e estrangeiros. A infraestrutura para que a prova pudesse acontecer envolveu a comunidade local, conhecedora da região. A organização do evento contou com o apoio de camionetes, caminhões, barracas e todo suprimento necessário para garantir alimentação, atendimento de saúde, hidratação aos participantes.
Os atletas foram levados até o Corixão, distante 220 km de Campo Grande, em 2 ônibus de turismo. A partir dalí, a aventura começou. Camionetes e caminhões foram utilizados para o transporte num trecho de 80 km até a Baía das Pedras. Para se ter uma ideia, a ida durou4 horas e a volta, após as chuvas, 8 horas.
A fazenda disponibilizou 11 homens trabalhadores sendo destes, 7 cavaleiros. Eles abriam e fecharam as porteiras durante a prova. Outros 4 fizeram os trabalhos gerais e 8 colaboradoras forneceram as refeições - baseadas na culinária pantaneira - e arrumação do local do evento. No cardápio: macarrão de comitiva, porco monteiro, costela bovina assada, sopa paraguaia, arroz carreteiro. O café da manhã e o lanche da tarde foram fornecidos para reforçar o sistema imunológico dos 60 atletas e mais 130 pessoas envolvidas na organização como: enfermeiros do SAMU, fotógrafos, pessoal do staff, motoristas e funcionários da fazenda.
Uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) aérea esteve a postos em Campo Grande para decolar até o local se houvesse alguma emergência além de duas ambulâncias da Secretaria de Saúde do município de Aquidauana.
Os 4 postos de alimentação tiveram cardápio próprio oferecendo manga com sal, rapadura, azeitonas, jujuba, melancia e a tradicional sopa paraguaia. A prova contou com 7 postos de hidratação com água mineral e isotônicos.
Para a hospedagem dos atletas foram adquiridas 70 barracas e colchões infláveis e construídos 2 banheiros, masculino e feminino, o que atendeu a contento a todos, mesmo com a chuva que atingiu algumas barracas durante os 2 dias do evento.
Nota de falecimento
Artesão, esportista e incentivador da cultura regional, Lourival da Silva Santos marcou gerações com sua determinação, simpatia e participação em feiras, exposições agropecuárias e projetos culturais.
SOLIDARIEDADE
Jeilson voltava da Aldeia Bananal, em Aquidauana, quando atingiu o animal; veículo é usado no atendimento a escolas
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