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4º Bonito CineSur

Bruno Gagliasso cita preservação da memória na pré-estreia de "Honestino"

Evento foi marcado por homenagem póstuma ao cineasta argentino Luis Puenzo; programação segue ao longo desta semana

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A segunda noite da 4ª edição do Bonito CineSur (Festival de Cinema Sul-Americano) foi marcada pela pré-estreia de "Honestino", dirigido por Aurélio Michiles. Ao lado do protagonista Bruno Gagliasso, o cineasta esteve no Centro de Convenções de Bonito, no último sábado (25), para apresentar ao público o documentário que resgata a trajetória de Honestino Guimarães, líder estudantil, ex-presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes) e aluno da UnB (Universidade de Brasília), desaparecido durante a ditadura militar.

Com estreia nacional prevista para 13 de agosto, o longa reúne depoimentos de importantes personalidades e intercala esses relatos com a atuação de Bruno Gagliasso no papel de Honestino. Durante o encontro com o público, o ator destacou que se identificou com os ideais do personagem e afirmou acreditar na democracia e na liberdade. Segundo ele, o filme busca provocar reflexão e "preservar a memória de um período que, por muitos anos, tentou ser apagado". Em outro momento, o ator ressaltou que seu papel como artista é trazer à tona fatos marcantes da história do país e lembrou que, embora Honestino tenha sido morto, seu legado permanece vivo. "Tentaram apagar a história desses meninos e não conseguiram. Porque mataram o corpo, mas não mataram o espírito", afirmou.

Aurélio Michiles também reforçou que o documentário não foi concebido apenas como uma lembrança do passado, mas como uma obra conectada ao presente. O diretor explicou que quis mostrar Honestino como uma figura ainda atual e defendeu que a preservação da memória é uma responsabilidade coletiva. Para ele, impedir que a barbárie volte a acontecer depende da atuação diária de diferentes setores da sociedade, como intelectuais, trabalhadores, artistas e produtores culturais. "Ele está aqui, agora. O monstro está vivo. E nós precisamos combatê-lo", declarou.

Ao comentar a recepção do filme, Bruno Gagliasso destacou, ainda, a importância de festivais como o Bonito CineSur para aproximar o público das produções nacionais e sul-americanas. O ator afirmou que ver as salas cheias e o interesse das pessoas pelo cinema reforça o papel da arte como espaço de reflexão, cultura e debate.

Bruno Gagliasso e Aurélio Michiles4

Memória sul-americana

Antes da exibição de "Honestino", o Bonito CineSur homenageou, de forma póstuma, o diretor argentino Luis Puenzo, falecido aos 80 anos em 2026, com a entrega do Troféu Pantanal In Memoriam e a exibição de seu clássico "A História Oficial", de 1985. A homenagem foi recebida pela produtora e professora universitária argentina Cecília Diez, das mãos do cineasta brasileiro Joel Pizzini.

Assim como o documentário de Aurélio Michiles, o filme de Puenzo propõe uma reflexão sobre a memória na América do Sul. Vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional, o longa acompanha Alicia, professora de História que passa a suspeitar que sua filha adotiva seja filha de desaparecidos da ditadura argentina. Lançada em 1985, a obra tornou-se um dos maiores símbolos da luta pela preservação da memória e dos direitos humanos no continente.

Bruno Gagliasso e Aurélio Michiles3

De acordo com a organização do Bonito Cinesur, ao colocar a América Latina no mapa do Oscar, Luis Puenzo abriu caminho para novos cineastas da região e consolidou seu legado ao transformar temas como culpa, responsabilidade e memória em parte fundamental da história do cinema sul-americano. Por essa contribuição, o evento prestou reverência ao diretor argentino.

Os próximos dias do evento

O Bonito CineSur reúne, até 01º de agosto, produções de diferentes países da América do Sul em mostras competitivas, sessões especiais, oficinas e atividades formativas, com entrada gratuita.

A partir deste domingo (26), entraram em cena as três mostras competitivas, exibindo longas e curtas sul-americanos, filmes ambientais e produções sul-mato-grossenses, com sessões diárias no Auditório Kadiwéu, a partir das 16h30.

Nesta terça-feira (28), acontece a charla "A Crítica no Cinema", com José Geraldo Couto e Rodrigo Fonseca, mediada por Cecília Diez, enquanto o Auditório Terena recebe a sessão especial de "Minha Terra Estrangeira", com João Moreira Salles e Louise Botkay. O documentarista retorna na quarta-feira (29) para ministrar a Aula Magna "O Problema do Documentário".

Na quinta-feira (30), Vincent Carelli participa da charla sobre os 40 anos do projeto Vídeo nas Aldeias e, na sexta-feira (31), apresenta "Martírio", documentário sobre a resistência Guarani Kaiowá. No mesmo dia, Paulo Betti conduz a charla "Interpretação para Cinema e TV".

O encerramento, no sábado (01º), contará com a Mostra Comunidade, sessões especiais de "Do Sul, a Vingança" e "Jackson: na Batida do Pandeiro", culminando na cerimônia do Troféu Pantanal, apresentada por Paulo Betti e Valentina Herszage.

O evento é uma realização da Associação Amigos do Cinema, Lei Rouanet e Ministério da Cultura, por meio de emenda parlamentar do deputado federal Vander Loubet (PT). Conta com o patrocínio máster do Banco do Brasil e da Petrobras, da Caixa Econômica Federal, da EMGEA (Empresa Gestora de Ativos), do Sesc-MS (Serviço Social do Comércio) e da Fecomércio-MS (Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo). Também tem o apoio da Prefeitura de Bonito, da Fundtur (Fundação de Turismo) e do Estado de Mato Grosso do Sul.

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