Brasil
O hotel mais famoso do Brasil já recebeu de reis a estrelas do rock
“Alô, é do Copa?”
Essa é uma das perguntas que a hoteleira Mariana Sousa mais ouviu no período que trabalhou no Copacabana Palace. E, nessa mesma época não houve frase mais repetida por ela do que “Belmond Copacabana Palace, Mariana, bom dia, como posso ajudar?”. Ela é uma das pessoas que ajudaram a escrever a história do hotel mais famoso do Brasil e que completa 100 anos neste domingo (13).
Mariana trabalhava no chamado guest service, em tradução livre, serviço de hóspedes. Eram de 100 a 200 ligações por dia. “A maioria era de pessoas querendo saber quanto custava uma noite, porque o Copa está no imaginário das pessoas, é o símbolo máximo de luxo e sofisticação para os brasileiros. Você pensa no Copacabana Palace, pensa em luxo ostentação. É uma coisa que geralmente não faz parte da maioria da vida dos cariocas ou da maioria dos brasileiros”, diz.
Localizado à beira da praia que é um dos ícones do Rio de Janeiro, o Copacabana Palace, com 239 quartos e suítes, além de uma fachada imponente, é difícil de não ser notado.
O Copacabana Palace, em operação desde o dia 13 de agosto de 1923, foi um dos primeiros hotéis no Brasil a já começar as atividades com um serviço de telefonia, que havia chegado no país décadas antes, em 1877, trazido pelo imperador D. Pedro II. Quando inaugurado, o setor de telefonia contava com um chefe, um intérprete, auxiliares e os telefonistas da noite. “Era o reconhecimento da importância do setor de telefonia para o funcionamento do hotel mais luxuoso da cidade”, diz o artigo de Mariana.
O portal Brasiliana Fotográfica da Fundação Biblioteca Nacional e Instituto Moreira Salles reuniu imagens históricas e do hotel e resumiu a história do local. Segundo o portal, o Copacabana Palace era, na época de sua inauguração, o maior hotel da América Latina e representava a modernidade da cidade.
O hotel foi construído a pedido do então presidente Epitácio Pessoa. Em 1919, ele solicitou aos empresários Octávio Guinle e Octávio Rocha Miranda que construíssem hotéis para abrigar os visitantes da Exposição do Centenário da Independência do Brasil. Nessa ocasião o Brasil receberia chefes de Estado e pessoas ilustres de todo o mundo. Pessoa queria tornar o Brasil um país conhecido e respeitado no cenário internacional da época.
O Copacabana Palace não ficou pronto em 1922, para o centenário, e acabou sendo inaugurado oficialmente em 13 de agosto de 1923 com a visita do presidente da República à época, Artur Bernardes, em companhia de outras autoridades, dentre elas o prefeito do Rio de Janeiro, Alaor Prata.
O hotel foi projetado pelo arquiteto francês Joseph Gire, responsável por outras obras da cidade, como a do Hotel Glória e a do Edifício Joseph Gire, que ficou conhecido como Edifício A Noite. O prédio foi construído com cimento alemão, mármore de carrara e adornado com vidros e lustres da Tchecoslováquia, móveis franceses, tapetes ingleses e cristais da Boêmia.
Em 1989, a família de Octávio Guinle vendeu o Copacabana Palace para o grupo Orient-Express que, posteriormente, passou a chamar Belmond. Atualmente, o hotel é de propriedade do grupo francês LVMH, com comprou o Belmond em dezembro de 2018. O Copa é tombado em nível federal, estadual e municipal.
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