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Até quando? Uma mulher é vítima de violência a cada 15 segundos no Brasil

Mato Grosso do Sul registrou 43 feminicídios em 2022

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O feminicídio, essa é uma palavra relativamente nova no nosso vocabulário e que significa o assassinato de mulheres em razão do gênero. Infelizmente, a palavra feminicídio vem sendo pronunciada com muita frequência ultimamente. 

Sobre esse assunto tão presente no nosso dia a dia, o Instituto Sou da Paz, que estuda a violência em geral no Brasil, fez um estudo específico sobre o assassinato de mulheres entre os anos de 2012 e 2020 (ano mais recente de dados oficiais), revelando que em média 2,2 mil mulheres foram mortas por arma de fogo por ano aqui no Brasil. O levantamento dá ênfase às informações relativas ao ano de 2020, e revela um quadro preocupante. Em 8 anos (2012/2020) quase 18 mil mulheres foram assassinadas com arma de fogo no Brasil. 

A Plataforma Violência Contra a Mulher em Dados, que atua com pesquisas e estudos sobre a violência contra a mulher, aponta que o feminicídio cometido pelos companheiros das vítimas, com arma de fogo, vem crescendo a cada ano. Um levantamento realizado pelo portal, mostra que o feminicídio na faixa etária de zero a 60 anos foram cometidos e 25% deles, por parceiros íntimos e ocorreu em maior número contra mulheres de idades entre 20 a 29 anos, sendo que 42% desses crimes foram praticados em via pública. O estudo também aponta que, sete em cada dez mulheres mortas eram pretas ou pardas, o que revela a uma maior vulnerabilidade dessa parcela feminina. 

Toda a violência contra a mulher não se resume ao crime de arma de fogo ou outra forma de assassinato. A prática também acontece sob agressões em ambiente doméstico ou familiar e, até mesmo, na forma virtual. O mapa da violência contra a mulher expressa que existem diversas formas de se atacar uma vítima e nas mais variadas faixas etárias e ambientes. 

Conforme divulgou em 2018, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), no ano de 2016 o Brasil contava com 116 milhões de pessoas conectadas à internet. Esse cenário também revela uma desigualdade de gênero e violência contra as mulheres como mostra o levantamento da Plataforma Violência Contra a Mulher em Dados baseado nos indicadores Helpline da SaferNet Brasil, em 2017 as mulheres também foram a maioria nos atendimentos por cyberbullying e ofensas (67,4%) e exposição de conteúdos impróprios e violentos (62,1%) apontando para um novo modelo de crime de assédio: o virtual, que segundo estudos cresceu 26 mil por cento, em 2017, um número que parece absurdo, mas é real e revela o quanto a mulher está sendo desrespeitada com ataques na forma tanto física quanto via internet. 

Os crimes de estupro também foram pesquisados e os números são elevados

No período entre os anos de 2015 a 2019, meninas de 10 a 14 anos foram vítimas frequentes da violência sexual, e os atendimentos decorrentes de estupro de vulnerável no Brasil, somaram 69.418 atendimentos em serviço de saúde, de acordo com dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN- Datasus). Os locais onde os estupros ocorreram na sua maioria, foram em lugares públicos e cometidos por algum conhecido da vítima. As meninas pretas ou pardas constituem a maioria das atacadas. 

 

Mato Grosso do Sul registrou 43 feminicídios em 2022 

 

A partir desse panorama nacional, o site O Pantaneiro fez um recorte dessa violência contra a mulher, no Estado do Mato Grosso do Sul e segundo fontes do Sigo (Serviço Integrado de Gestão Operacional) da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública) em 2022, 43 mulheres foram vítimas de feminicídio. O maior número já registrado no Estado, desde a criação da lei do feminicídio, em 2015, sendo um número que representa um aumento de cerca de 28 por cento com relação ao ano anterior (31 homicídios, 2021). 

Para especialistas do assunto, a educação pode contribuir e muito como aliada na desconstrução do machismo estrutural e sexismo e importante aliada na formação de um novo homem, desde o menino até o homem adulto. Como explica o escritor sobre sexualidade, educador e mestre em Educação Sexual (Unesp), Marcos Ribeiro, autor de mais de 20 livros sobre o tema.  

“Na verdade, essa mudança está na base da educação e não só educação formal da escola, mas como as famílias educam seus meninos e meninas. “Só a lei não muda o comportamento. O que a gente precisa primeiro é que as pessoas sejam punidas, sim, no rigor da lei sem nenhuma brecha que a lei produz. O outro, está na educação. Na educação escolar e numa educação para aqueles que estão fora da escola. Que pode ser através de campanhas, através, de estratégias de comunicação que tragam a informação e possibilite de forma efetiva a redução da criminalidade, do feminicídio que aumentou.”

Maria da Penha virou símbolo de luta contra as agressões a mulheres

A Lei Maria da penha que foi sancionada em 7 de agosto de 2006, surgiu a partir do histórico de agressões vividas pela cearense Maria da Penha Fernandes, que sofreu duas tentativas de homicídio por parte do então marido, um professor universitário. O sofrimento de Maria da Penha, virou símbolo de luta e combate da violência contra a mulher. De lá para cá 17 anos se passaram e muita coisa mudou e as mulheres passaram a ter maior proteção e a tenção da Justiça com relação a todo tipo de violência que possam sofrer. 

Apesar desse avanço e tantos outros nesse sentido, a mulher continua vulnerável (as estatísticas dessa matéria mostram isso), sofrendo violência nos mais diversos ambientes e das mais diferentes formas. Punir os agressores dever ser a função de uma lei severa que necessita ser revisada constantemente e construir uma sociedade menos machista e detentora de membros que saibam respeitá-las deve ser o comportamento de cada cidadão, e o trabalho de governos em todos os níveis, através de políticas públicas especificas, principalmente na educação. Afinal, é na escola onde os dois gêneros se aproximam e o lugar onde do machismo e sexismo deve ser trabalhado para ser erradicado num futuro não muito longe. 
 

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