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Julgamento

Família e amigos unidos por Justiça em memória de Adriana Pereira

Julgamento marcado para essa terça-feira, 7, é ato em memória de vítimas do feminicídio

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A saudade dói, mas não impede que o clamor por justiça permaneça. Foi por esses motivos que, na tarde de domingo, dia 5, uma pequena multidão esteve em caminhada clamando contra o feminicídio, e circulou pelas ruas da cidade de Anastácio para se concentrar na porta do Fórum do município, na Avenida JK- St 1. A manifestação, organizada por familiares, amigos e grupos que defendem o fim do feminicídio, se concentraram na praça Arandú, no centro do município e caminharam pacificamente, vestindo camisetas com a imagem da vítima, carregando balões, cartazes e uma faixa, onde se lia a frase “Justiça por Adriana Pereira! Diga não ao Feminicídio.” 


Com palavras de ordem, o grupo realizou a manifestação para chamar a atenção da opinião pública e de autoridades, para o julgamento do crime, que irá a júri popular na terça-feira, 7 de novembro, às 13h30, no Tribunal do Júri da comarca da região. 
No banco dos réus, estará Júlio César Miranda, de 39 anos, que está preso pelo crime de feminicídio majorado (nesse caso, a pena imposta ao feminicídio é aumentada se o delito foi praticado na presença de descendente ou de ascendente da vítima). O acusado matou Adriana Pereira, de 36 anos, na frente da filha do casal, uma menina de 9 anos.

Família e Amigos de Adriana Pereira: Unidos na Busca da Justiça - Foto: Marjorie Arruda


Também participaram da manifestação familiares e amigos de Mikaela Oliveira Rodrigues, de 22 anos, que foi encontrada morta a facadas, no dia 8 de setembro, 2023, também vítima de feminicídio, cometido pelo companheiro da jovem na época, Juliano Azevedo, de 28 anos, que na ocasião fugiu com os filhos de 2 e 3 anos do casal.  Ele também está preso. 
Uma das participantes e organizadora da manifestação, foi a sobrinha de Adriana, Geysielle Pereira, que conversou com o Pantaneiro sobre esse momento. 


“A manifestação foi bem tranquila. Esse era nosso intuito desde o começo. Era uma manifestação que a família começou a organizar e foi tomando proporções grandes. Começamos a divulgar e muitos amigos e pessoas que se sensibilizaram também pelo caso. Partimos da praça de Anastácio e seguimos em direção ao fórum onde vai acontecer o julgamento. De lá, seguimos de volta até a praça Arandú, fizemos uma carreata em Aquidauana até a Pantaneta. Tudo com a atenção da Polícia Militar”, explicou Geysielle.   Desde o dia do crime, a família tem vivido momentos difíceis e ainda sofre com tudo que aconteceu. 
“Tem sido bem difícil, muito difícil mesmo, muito triste. Adriana, ela era muito feliz, a gente até brinca que ela era a mais alegre aqui da família. E, e desde que aconteceu, a gente não tem mais isso. Era uma pessoa que levantava o astral de todo mundo e, desde o acontecido, todo mundo vem tendo que se adaptar à falta dela. A gente se doa bastante pela filha, que ficou desamparada maternalmente, mas todos aqui estão dando o máximo por ela. Vem sendo dias bem difíceis. Minha avó, mãe dela, meu avô tiveram que sair da casa, eles não conseguiram mais ficar na casa. Tiveram que alugar outra casa na cidade. Está sendo bem difícil para todo mundo”
, revela a sobrinha.   


Geysielle revela que a filha de Adriana, a menina de 9 anos, que presenciou todo o crime e violência, permanece emocionalmente muito abalada e vem recebendo semanalmente atendimento psicológico, devido a dor e a falta da mãe, que era a grande amiga e companheira da criança. 
Na terça, dia 7, vai acontecer o julgamento do acusado, e a família está esperando que a justiça seja feita apesar de não trazer Adrian de volta. 


“Nem Justiça vai tapar o vazio que Adriana deixou e ela está deixando em nossas vidas, mas a condenação dele é o mínimo que a gente espera o mínimo por justiça. Significa o mínimo que a gente quer. Eu acredito na Justiça e espero que a Justiça seja feita, que ele pague por tudo que ele fez, que ele possa pegar o máximo de anos. A pena máxima é o que a gente espera”, encerra Geysielle, emocionada.     
No domingo, a manifestação realizada não foi apenas por Justiça para Adriana Pereira, mas para todas as mulheres e familiares de mulheres, que sofrem por agressão ou morte pelo feminicídio. Na caminhada, a família buscou deixar uma mensagem de alerta, como revela a sobrinha de Adriana. 

Manifestação pela Condenação do Réu de Feminicídio na Região - Foto: Marjorie Arruda

 “Hoje, a família que atravessa essa dor, carrega uma mensagem para que outras mulheres não sejam vítimas de uma agressão ou mesmo um crime. A mensagem que a nossa família vem tentando passar é: não se cale. Qualquer indício. Não precisa deixar chegar na agressão tanto física quanto a agressão verbal. Denuncie, procure seus direitos, procure ajuda, procure alguém de confiança, mas não se cale. Não deixe chegar no extremo. Não fique em um relacionamento que não te cabe. Em briga de marido e mulher a gente tem que colocar a colher sim”, alerta Geysielle.  


O Assassinato de Adriana Pereira  


Adriana Pereira foi morta com cinco tiros disparados pelo ex-marido, na tarde do domingo 23 de julho de 2023, quando trabalhava em um comércio da família na rua Índio Neco, no Bairro Novo Horizonte. Na ocasião, a Polícia Militar informou que o crime teria acontecido por volta das 14h30. 

Vítima de feminicídio Adriana Pereira - Arquivo Pessoal


A vítima foi atingida pelas costas com quatro tiros e um quinto feriu o braço de Adriana, que chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital. Depois de cometer o feminicídio, o autor dos disparos fugiu numa motocicleta, sem deixar pistas. Após ficar foragido da Justiça, no dia 25 de julho, Júlio César Miranda dos Santos, se entregou na delegacia com a presença de um advogado e confessou o crime.  


Dados da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública do MS) apontam que até o Estado do Mato Grosso do Sul registrou até o momento, 23 casos de mulheres que perderam a vida através do crime de feminicídio.  

 
Lei Maria da Penha a inspiração para proteção das mulheres
 


Maria da Penha Maia Fernandes é uma farmacêutica brasileira que, no ano de 1983, foi vítima de violência doméstica por várias agressões do marido, o professor universitário Marco Antonio Heredia Viveros.  
Em duas ocasiões, Marco Antonio tentou matar Maria. Na primeira, com um tiro de espingarda, que a deixou paraplégica. Em seguida, depois de Maria passar quatro meses no hospital e realizar inúmeras cirurgias, quando voltou para casa o marido tentou eletrocutá-la durante seu banho.


Assim, Maria pôde sair de casa graças a uma ordem judicial e iniciou uma árdua batalha para que seu agressor fosse condenado. Isso só aconteceu em 1991. Desde então o debate sobre violência contra mulher foi tomando força, e um projeto de lei foi pensado por organizações de mulheres, com enorme participação da sociedade, e abraçado pela bancada feminina do Congresso Nacional, começou a ser construído. 


No ano 2000, a luta recebeu apoio através de um projeto de lei da deputada federal Jandira Feghali (PC do B) que teve um projeto de lei vetado. A luta das mulheres seguiu adiante por alguns anos atravessando vários casos, até que no dia 7 de agosto de 2006 a lei 1340/2006 foi sancionada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Há 17 anos esse projeto vem recebendo ajustes que procuram cada vez mais garantir o direito de vida segura às mulheres, e uma punição cada vez mais rigorosa ao praticante de violência contra elas. 


No dia nove de março de 2015, entrou em vigor a lei do feminicídio (Lei 13.104/15), que estabelece o homicídio cometido contra as mulheres devido ao seu gênero. A lei considera feminicídio quando o assassinato envolve violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher da vítima.    

Veja as fotos:

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