DAGOBERTO As suas pegadas deixadas nos últimos dias indicam que deve aceitar a proposta do PMDB. O PT joga a última cartada, mas o ex-deputado sabe: se perder mais uma eleição sua carreira estará encerrada. Em política é assim.
REPETECO Não é fácil administrar as mesmas pretensões eleitorais quando se tenta formatar um bloco interpartidário. Afinal, todos candidatos se julgam com chances e lutam até o final para ser o cabeça de chapa. Certo?
NA PRATICA esses ?casamentos de conveniência? não funcionam por razões diversas. Um candidato se julga discriminado no horário eleitoral, outro alega falta de repasse de verba/material e assim por diante. As diferenças afloram.
ALIANÇAS políticas exigem acima de tudo desprendimento. Mas pergunto: quando se lida com poder isso existe? Ora bolas! No cenário político não há espaço para filósofos e bons samaritanos. Esqueçam as frases de efeito. Tudo fachada.
NOTÍCIAS Cuidado com elas na avaliação política. Nem sempre espelham o que se passa nos bastidores. Quem frequenta esses espaços sabe: entre a realidade e a ?fantasia noticiosa? há uma diferença quilométrica devido aos interesses.
DESAVISADOS... e demagogos ?travestidos de falsos moralistas? apregoam que essas eleições municipais no Brasil possam ser uma espécie de divisor de águas para uma nova era da vida pública-partidária. Tenho dúvidas.
BALELA Nas eleições municipais não existe o debate doutrinário e ideológico. A tentativa de popularizar essas questões não rende votos; o eleitor não está interessado neste tipo de assunto. Aliás, a maioria nem entende.
A CRUZADA moralista tendo como estandarte a tão discutida Lei da Ficha Limpa, também não deve funcionar. Existem várias brechas e dúvidas entre os juristas, o que deve congestionar os julgamentos de impugnações na justiça.
PALANQUE prefeitural discute o currículo dos candidatos e a capacidade dos mesmos em solucionar os problemas do dia a dia da comunidade: a sonhada praça, o esgoto a céu aberto insuportável, a creche prometida e assim por diante.
MESMO nas capitais o discurso deve seguir esse rumo. Referências à Ditadura, Lei da Anistia, Tortura, etc e tal interessam à quem? Se o pessoal nem lembra mais do Collor, imagine insistir nesses assuntos anteriores. Não cola.
O ELEITOR vive muito o presente, é pragmático e imediatista em suas pretensões. No seu universo não existe diferença entre os políticos liberais/comunistas/ socialistas. Tem pré-conceito um tanto cético das propostas dos políticos.
MEMÓRIA Alguém ouviu discursos de Dilma e Serra contra a corrupção ou pregando a moralização? Se poucos partidos não estão contaminados com casos graves, ambos os lados adotaram a retórica, menos moralista e mais progressista.
DEPUTADO Tetila, com base no livro ?O Patrimônio de São Carlos?, de Nilson Britez (militar reformado) questionará em Brasília o ?desaparecimento? deste povoado no município de Bela Vista e pedirá devolução das terras.
O LIVRO é completo: traz mapas inclusive localizando o patrimônio, às margens do rio Apa, com área definida de mil hectares, distante 28 kms de Caracól. Em 1954 moravam lá 200 pessoas e existiam 34 moradias e uma escola.
ABSURDO Sob o argumento da defesa do território nacional e que a área era devoluta, o Exército apropriou-se da mesma, enxotando os moradores. Em 1980 foi despejado a última família, sem direito a defesa e qualquer indenização.
CONTRADIÇÃO Hoje os descendentes dos moradores vivem nas periferias de Bela Vista e Caracól, trabalhando como peões. Enquanto isso, tal área incorporada ao Exercito, serve de pastagens aos fazendeiros da região.
TETILA está inconformado. A ação do Exercito foi arbitrária: os moradores tinham a posse da posse reconhecida pelos fazendeiros vizinhos. O povoado era servido por uma linha de ônibus e tinha inclusive destacamento da Polícia Militar.
O RELATO da violência do Exercito contra os moradores na efetivação do despejo emociona os leitores. É de se questionar: é justo que essa situação se perpetualize? O Exercito precisa dessas terras? Afinal, a Ditadura acabou!