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Manoel Afonso

De leve...Econômica ou Política: Qual das crises é maior?

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Se a maior rede de móveis e eletrodomésticos do país dispensou em Campo Grande a metade dos seus montadores; se o Governo Estadual avisou que não tem condições de atender as reivindicações salariais de funcionários, é sinal de que a crise já chegou.
 
No caso de nosso Estado, a economia ainda é ajudada pelo dinheiro da boa safra e pelos ganhos notáveis na pecuária. A maioria do dinheiro circulante vem destas duas fontes. Mas quando acabar o dinheiro da ?safra do bezerro? neste final de mês e da safrinha do milho, entraremos num segundo semestre de doer.
 
Não é difícil perceber a extensão desta crise; as placas de vendas e aluguel aumentaram e todos os segmentos comerciais vivenciam queda no faturamento que desaguará nas inevitáveis demissões. Aliás, o custo do dinheiro nunca esteve tão alto. Os juros do cartão de crédito e do cheque especial ? pela hora da morte!
 
Mas o fim da magia da bonança chegou também ao Governo Federal. Se antes tudo era otimismo e que o pessimismo era apenas ?discurso de derrotados?, basta ler o projeto do ?Ajuste Fiscal? para perceber a profundidade do buraco. Além de cortar dinheiro dos investimentos, diminuirá os recursos de áreas importantes para a vida da população, como saúde, segurança e transportes.
 
A posição do Governo tem sido tão radical que no episódio das aposentadorias acabou sendo criticado até por vários segmentos do PT. O noticiário mostra que o ex-presidente Lula foi chamado para tentar evitar rebeliões e debandadas de algumas lideranças expressivas do partido. Pelo visto, sem sucesso.
 
Para complicar de vez o quadro governista, as rebeliões de Eduardo Cunha e Renan Calheiros têm desestabilizado de vez o Planalto. Aliados tradicionais, resolveram impor suas regras impondo derrotas humilhantes ao Planalto e com consequências eleitorais previsíveis para o pleito de 2016.
 
E neste cenário pouco animador para os governistas, há o incômodo diuturno da ?Lava Jato?, que já atingiu figuras bem próximas ao Planalto e ao PT e que tem merecido espaço diário na mídia. É inegável que essas prisões de empreiteiros e políticos tem aumentado a tensão na cúpula do governo. O clima cada vez mais pesado.
 
O Governo está fragilizado, sem discurso. O evento de 1º de Maio mostrou isso. Mesmo com a oposição fraca, o Planalto não consegue se reinventar.
 
Se não há como separar a política da economia, o estoque de mágicas petistas chegou ao final. Luzes acesas; acabou o doce filme de ficção.
 
De leve...

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