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Manoel Afonso

De leve - Eu avisei: "não abusem das dívidas"

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Não fiz curso de economia,  não aplico na Bolsa de Valores e nem devoro livros sobre a matéria Aliás, acho a linguagem  dos economistas prolixa demais. Curtir por exemplo uma palestra dos especialistas na área requer interesse e muita paciência.
 
Abrindo parênteses: Na década de 70 o saudoso Joelmir Beting, que era ?apenas? um grande jornalista, lançou o livro com o atraente título:  ?Na pratica, a teoria é outra?. Convidado pela Associação Comercial de São José do Rio Preto (SP) ele conseguiu prender a atenção do público com sua palestra  exatamente pela forma como abordou o assunto, usando expressões populares e exemplos visíveis em nosso dia a dia. 
 
Claro que os tempos eram outros, mas o crédito ? nas devidas proporções, era  como hoje -  à disposição dos empreendedores e do público em geral. Bastava ter coragem e ?meter os peitos? como se diz na gíria. 
 
De lá para cá, o que efetivamente houve foram mudanças na comunicação através da eficiente máquina da propaganda, despertando desejos e seduzindo os consumidores indecisos. Com isso o consumismo saiu da classe abastada, ganhou volume na classe média e atingiu a sedenta classe de menor renda. 
 
Foi o que se viu no país após a contenção da inflação e a consequente estabilidade da moeda na esteira do Plano Real. Casa própria, eletrodomésticos, carros, viagens e mudanças comportamentais  passaram a fazer parte da nova vida do brasileiro. Se de alguma forma consumir proporciona felicidade, o brasileiro não tinha do que reclamar.  
 
Mas ao embarcar nesta onda, influenciados pela política do governo de incentivar o consumo, muitos brasileiros não atentaram para os riscos  do excesso de compromissos assumidos. Não levaram em conta as chances de uma crise global, a alta dos juros e a estagnação da economia nacional e o consequente desemprego. 
 
As últimas medidas tomadas pelo Governo não sinalizam dias melhores. Muito pelo contrário. Mostram: ?chegou a amarga conta? dos excessos cometidos ? pelo próprio governo e a maioria da população ativa economicamente.  
 
Todos os segmentos já sentem os reflexos. O dinheiro sumiu e seu custo altíssimo, o que inibe investimentos da produção. A sociedade está endividada e deve se retrair ainda mais. Longe de ser pessimista, é preciso ser realista para aprender de vez lições praticas que atravessam o tempo. Uma delas ainda da época dos avôs: Dinheiro não aguenta desaforo.  De leve...

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