Maria de Lourdes Medeiros Bruno
OBRIGADA POR REZAR O QUE EU NÃO SEI”
Não sabe, mas agradece diante de uma eternidade perene e suprema.
Admite o não saber. Só aí já é uma pequena e singela oração. Imagina-se.
Lembra-se, ainda “dos outros”, e das suas vidas. E como pedir por eles. E observa também os agradecimentos. Fato raro em se tratando do homem moderno.
E por que para algumas pessoas o agradecer é difícil?
Em silêncio, principalmente, fica tão fácil. É a doce fragrância da existência humana, só que ninguém deseja perfumá-la. Basta um leve toque e abaixar o pescoço, fechando os olhos para ver a presença divina em toda plenitude
E diante de uma citação de Clarice Lispector: “Tenho recebido olhares que valem por uma reza”, constata-se a presença da força de uma oração: “a ausência das palavras, mas a presença dos gestos e dos afetos. O silêncio da presença divina
E o próprio texto pode ser encerrado por uma pequena prece/oração: “Deus , fazei com que os que eu amo não me sobrevivam,eu não toleraria ausência. Pelo menos isso eu peço.” (Clarice Lispector/A descoberta do mundo)
Maria de Lourdes Medeiros Bruno
LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro. editora .Nova Fronteira.1984
DESPEDIDA
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