Maria de Lourdes Medeiros Bruno
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“Instantâneo de uma senhora”
(...)“Morava numa pensão da Rua São Clemente. Era volumosa, e cheirava a quando galinha vem meio crua para a mesa.
Tinha cinco dentes e a boca seca. Sua reputação não fora inventada: ainda falava francês com quem tivesse oportunidade, mesmo que a pessoa também falasse português. E preferisse não corar com a própria pronúncia. A ausência de saliva tirava-lhe qualquer volubilidade da voz, dava-lhe uma contenção. Havia majestade naquele grande volume sustentado por pés minúsculos , na potência dos cinco dentes, na potência dos cabelos ralos que esvoaçavam à menor brisa (como em retrato de pessoas em exílio).” (...)
Bibliografia:
LISPECTOR, Clarice. Para não esquecer. Grandes cronistas brasileiros. Rio de Janeiro. Círculo do Livro. 1980. Pág. 81
DESPEDIDA
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