Sexta-feira, jogo do Brasil, o time sagrou-se vencedor e, com isso, conquistou uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo. Brasileiros felizes, soltavam fogos, gritavam, soavam suas buzinas de sopro e realizavam carreatas em comemoração à vitória. Uma festividade linda de se ver, com famílias pulando de alegria e pais levando seus filhos ainda de colo para participar.
O detalhe é que esta narrativa não condiz com o ocorrido na
Avenida Pantaneta naquela noite de sexta-feira. A festa que deveria ser sadia e bonita viu-se infectada (infectada, pois não podemos generalizar, haja vista que haviam pessoas de bem e famílias no local) por pessoas de interesses variados. Uns buscavam sexo fácil junto às meninas que se exibiam freneticamente e embaladas ao som de potentes aparelhagens automotivas, outros buscavam embriagar-se e embriagados permaneciam ao chão. Por fim, o pior desses ?contaminadores de festa?, aqueles que vão para brigar, que não tem compromisso com a vida, nem com o bem alheio.
Esses (os briguentos) são a escória dos ?infestadores?, como tal infestam sua influência negativa e levam consigo uma massa de idiotas que, juntos, praticam atos de desrespeito ao Estado e às pessoas de bem que estavam no local para festejar. É incrível e inquestionável uma sociedade, que se diz democrática de direito, ter seus valores tão deturpados como temos presenciado ultimamente. Chega a ser ridículo vermos pessoas buscando, através de atos de violência, impor suas vontades, isso mesmo, ?impor sua vontade? é a colocação mais adequada, pois trata-se de vontade e não de direito.
A festa já tinha chegado ao horário tido como permitido e a PM deslocou solicitando que os proprietários desligassem o som de seus veículos, solicitação atendida de pronto. Após percorrer todo o percurso da aglomeração a PM percebeu um grande grupo de pessoas que iniciavam uma briga e frente a isso interviu detendo alguns dos contendores. Após a detenção desses ?brigões?, outro grupo passou a vaiar as equipes policiais e na sequência atearam cerveja, garrafas e latas em direção aos policiais e às viaturas. Esse grupo de covardes que se acobertavam em locais escuros e utilizavam-se da grande multidão como escudo, insuflaram outros a agirem como eles. Essa ação tomou uma proporção incomensurável e frente a esta agressão a PM adotou os procedimentos de choque a qual foi treinada. O uso de Gás Lacrimogênio e Munições de elastômero foram inevitáveis, pois a ?chuva? de objetos foi tanta que danificou viaturas, feriu policiais e, até, os detidos na briga.
Sabendo que os detidos não possuíam vínculo com os agressores me pergunto... Esses irresponsáveis ?transvestidos? de ?vândalos, baderneiros? reivindicavam o que exatamente? Qual o real motivo deles colocarem a vida das pessoas e o patrimônio público em risco? Por que eles acham que o direito deles prosseguirem com a bagunça deles (porque local onde o índice de brigas é maior que o de pessoas dançando já deixou de ser festa e passou a ser bagunça, arruaça) é maior que o direito de descanso de quem trabalha no outro dia? Por que eles não medem as consequências de seus atos quando atiram um pedaço do asfalto em direção aos policiais e à população que ali se encontrava? Atitudes assim, poderiam ceifar a vida de um policial que deixou a família em casa e saiu para trabalhar em prol de uma comunidade que o vê como empecilho, que o vê como inimigo e que, acima de tudo, quer seu mal. Poderia ceifar a vida de um inocente, de uma criança, de uma pessoa qualquer, daí eu finalizo perguntando... Se a vida é o maior bem jurídico tutelado pelo Estado, qual o valor que esses delinquentes fazem a respeito dela?
Nossa sociedade está corrompida e a inversão de valores é evidente. Não nos basta mais educar nossos filhos para que não pactuem com esse tipo de gente, temos de adotar uma postura mais rígida e mais legalista, pois do contrário nossos filhos correm grande risco de serem vitimas desse grupo hipócrita que só veem o próprio umbigo reivindicando regalias como se fossem direitos, invadindo o direito alheio em nome de sua diversão e desrespeitando o pacto social, trazendo desequilíbrio e instabilidade à pessoas de bem.
Alexandre Silgueiro ? Policial Militar / Cursou História pela UFMS e atualmente cursa Direito pela UCDB.