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'Furar' ou 'não furar' o sinal vermelho?

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Apesar das diversas campanhas educativas contra o desrespeito e a violência no trânsito, continua crescente o número de acidentes com vítimas fatais, neste primeiro semestre já foram contabilizados 65 óbitos. Infelizmente, milhares de acidentes são registrados anualmente nas vias urbanas de Campo Grande, o desrespeito às leis de trânsito e as combinações perigosas na direção: excesso de velocidade e a ingestão de bebida alcoólica são considerados os principais fatores de risco. A situação tem gerado um cenário doloroso para as famílias, pela perda dos entes queridos, vítimas da negligência, imperícia e imprudência dos condutores indiferentes com os resultados provocados. A dor dos familiares das vítimas envolvidas em tragédias de trânsito é comovente, mas não suficiente para mudar o comportamento dos motoristas no dia a dia. Na prática, vemos a incapacidade da sociedade identificar seus próprios erros em relação à direção de risco. 
 
O que causa indignação é saber que a própria sociedade que cobra a punição severa do condutor que provoca o acidente com vítima fatal, é a mesma que reclama quando recebe uma multa: por excesso de velocidade; por avançar o sinal vermelho; por estacionar em vaga de idoso ou de deficiente; entre tantas outras infrações. No trânsito é preciso respeitar o espaço do outro, ser responsável pela harmonia e pela preservação de vidas. Enfim, é preciso medir a proporção das consequências das atitudes tomadas na direção de um veículo. 
 
Ao mesmo tempo em que a imprensa divulga os altos índices de acidentes de trânsito, parecem estimular o desrespeito à legislação. Nos últimos dias alguns meios de comunicação têm cobrado e acusado a Agência Municipal de Transporte e Trânsito-Agetran, órgão responsável pelo trânsito da Capital, de colocar a população em risco ao cumprir a legislação (Código de Trânsito Brasileiro-CTB), que proíbe o condutor ?furar? a sinalização semafórica, seja qual for o horário. Total apologia ao descumprimento da legislação de trânsito, por alegar insegurança nos semáforos na madrugada, pergunto então, de quem seria a responsabilidade da garantia da segurança pública? Não seria dos órgãos de segurança? Com base em que dados estatísticos estão baseadas as alegações, já que, não foram informados nas matérias, existem números de assaltos e sequestros nos semáforos na madrugada? 
 
A Agetran não tem competência legislativa ou de polícia (segurança), e sim dentre inúmeras finalidades: de cumprir e fazer cumprir a legislação e as normas de trânsito, no âmbito de suas atribuições, conforme dispõe o Decreto n. 8.145, de 16 de janeiro de 2001. Insistir e induzir motoristas a cometer infração de trânsito é ser coautor das tragédias. Hoje, conforme o Gabinete de Gestão Integrada de Trânsito, já são 9 óbitos ocasionados pelo avanço do sinal vermelho. Sim, um número trágico que poderia ser evitado, se não fosse o risco desmedido das consequências de atitudes irresponsáveis. Enquanto trabalhamos para desenvolver a consciência dos cidadãos, informações distorcidas são veiculadas de forma errônea e negligenciada, levando a sociedade ao erro, no que se refere ao cumprimento das leis de trânsito.
 
A frota de veículos na Capital já ultrapassa 480 mil veículos para uma população com mais 830 mil habitantes. A comparação dos dois números revela que há um carro em Campo Grande para cada duas pessoas. Dados do estudo estatístico do GGIT mostram também que a incidência maior de acidentes com vítimas fatais no trânsito de Campo Grande ocorre entre jovens na faixa etária de 18 a 25, os acidentes concentram-se principalmente em avenidas largas e bem sinalizadas e ocorrem prioritariamente nos finais de semana. O excesso de velocidade ainda é apontado como um dos principais motivos para acidentes fatais. Uma série de fatores explica o aumento da vitimização juvenil como, o abuso de álcool, a alta velocidade e a facilidade de acesso a carros. 
 
A sociedade precisa adotar uma postura de responsabilidade quando se trata de trânsito, a vida é o bem mais precioso, respeitar a sinalização pode salvar vidas. Lembre-se, ao avançar o sinal vermelho, você estará tirando o direito de quem está no verde. Então, quem será a próxima vítima?
 
 
Jean Saliba é diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran) e engenheiro civil 

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