Raquel Anderson
Diário de um tempo de Pandemia I
É um tempo de todos os cuidados, o tempo que transcende o âmbito do cuidado familiar, o tempo de uma eternidade dentro de nós, o tempo da saudade do nosso pedaço maior, partido, arrancado, enterrado, cremado...que se esvaiu... resíduos da nossa combustão, cinzas, enterro em terra escorrida por entre os dedos...somos fuligens, poeira, saudades, medos!
O tempo em que o nosso olhar crê não acreditar, mas vemos, diariamente, mundo afora, dores, amontoados de corpos, desespero...imagens que, se não houvessem sons, se não houvessem narrativas, seriam entendidas, sentidas como se guerra fosse e, como tal, eternizada em nós, em câmeras lentas, todas as crueldades da morte lenta e da dor imensa, intensa...
Imagens cravadas em todos nós, nós que não desatamos.
O que esperamos de todo o mundo, todo o mundo somos nós, agora, uníssonos no exílio de nós mesmos...somos a ameça e a esperança, espera e inconstância.
E, para todo sempre, eternamente, até quando?
Raquel Anderson
METEOROLOGIA
Previsão indica mais um dia de calor intenso no município e região; não há expectativa de chuva
DESPEDIDA
Velório reuniu familiares, amigos e moradores na Pax Universal; artesão morreu aos 72 anos
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