dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Notícia veiculada esta semana no site terra diz que "o brasileiro Valdecir Pinheiro, considerado o inimigo público número um da Policia Paraguaia, foi morto, na quarta feira, durante um confronto com as forças de segurança de Ciudade del Este, a 330 km da capital Assunção, no Paraguai. Ele era acusado de promover vários seqüestros, entre eles o de Hirakazu Ota, um pastor japonês que representava a seita Moon no Paraguai". Mais à frente o texto define Hirakazu como "pastor evangélico".
A mídia secular e muitas pessoas respeitadas no mundo das idéias costumam fazer a maior confusão quando se referem à determinadas vertentes religiosas. Anos atrás detestei ler o Aurélio, famoso dicionário, definindo o termo "presbiteriano" como sendo a identidade religiosa de quem pertence a uma "seita protestante". Da mesma forma estremeço ao ver um órgão tão notável como o site em menção, definir, mesmo que por inferência, o moonismo como sendo um segmento evangélico.
Parte do problema resulta da constatação histórica de que o protestantismo, hoje, é extremamente fragmentado, contabilizando milhares de denominações dentro de pelo menos três vertentes principais: históricas, pentecostais e neo pentecostais. Como a Igreja católica tem a virtude de manter a unidade na diversidade, quando surge uma expressão de fé nova, se utilizando de alguns referenciais bíblicos, a tendência mais comum é designá-la como protestante (ou evangélica), mesmo que defenda heresias absurdas. Poucos se dão ao trabalho de, num exercício de honestidade intelectual, confrontarem as doutrinas principais de cada movimento com o texto-referência de fé do cristianismo, que é a Bíblia.
A referência ao moonismo como "seita" na notícia do site terra está correta, considerando-se que uma "seita" é todo e qualquer sistema que se afasta de uma crença geral. Alguns ensinamentos centrais do sistema doutrinário do "Reverendo Moon" chocam-se com a essência do evangelho. A maior aberração é a ênfase de que Jesus Cristo não realizou uma obra completa em seu ministério terreno. Moon teria vindo ao mundo para fazê-lo. Isto basta para definir o movimento como uma seita, considerando-se o sentido da expressão. Mas, referir-se a um membro do moonismo como "pastor evangélico" é contraditório e aviltante. Pela lógica alguém não familiarizado com as questões religiosas poderia definir uma Igreja evangélica como "seita".
É preciso perguntar, no contexto desta discussão, qual a crença geral do cristianismo? Embora hajam discordâncias ao meu ver secundárias, há unidade entre os cristãos em questões como a autoridade das Escrituras (no caso do protestantismo é a única regra de fé) e a partir de sua leitura todos acreditam na existência de Deus, na Trindade divina , na humanidade e divindade de Cristo, no significado de sua morte, no pecado como elemento que separa o homem de Deus, etc. Pelo menos dentro do prostestantismo as diferentes interpretações de alguns textos bíblicos não comprometem ou não deveria comprometer a sua unidade. Na relação direta protestantismo/catolicismo o diálogo inter-religioso das últimas décadas pelo menos excluiu a possibilidade da maioria dos católicos verem as Igrejas evangélicas como "seitas". E ambos concordam que grupos como mórmons, moonistas e testemunhas de Jeová, etc., são conceituados como seitas heréticas. Mas, o debate em algumas instancias ainda é intenso. Por isto mesmo não se pode culpar alguns jornalistas pelos erros conceituais ao fazerem referencias aos grupos religiosos, principalmente aqueles que se valem da Bíblia para definirem algumas matérias de fé. Afinal, como disse alguém, ela é a mãe de todas as heresias, por causa da tendência que os homens têm de distorcerem seus ensinos.
Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
vivaldo-2008@hotmail.com / site: www.ipbaq.com
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