dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Muito oportuno num começo de ano que os cristãos de Aquidauana, Anastácio e região avaliem o culto que tem oferecido a Deus. Falo não do culto permanente, que inclui a vida, conforme dimensiona o apóstolo Paulo, quando escreve aos romanos. Mas, o culto que se dá nos encontros festivos, no templo. Nos tempos do profeta Malaquias essa relação dos fiéis com Deus, no ato da adoração coletiva, estava em crise. Uma leitura coerente do capítulo primeiro nos permite dizer que o povo vivia um período de "acomodação" espiritual. O culto, mecânico e frio, dimensiona esse quadro. O que vemos no duro recado do profeta é Deus mandando um recado que pode ser pertinente para muitos cristãos nominais, hoje: Ele não aceita restos. Muitas vezes é exatamente isto que os cristãos estão oferecendo a Deus:
1. Resto de honra e temor - O oposto de honrar e temer, na Bíblia, é desprezo. O nome de Deus estava sendo desprezado. Desprezamos o nome de Deus quando, do ponto de vista da religiosidade, nos identificamos como cristãos, mas as nossas ações, o nosso comportamento, como um todo, não honra ao Deus que dizemos seguir e servir. Fazer alguma coisa para Deus apenas na Igreja (quando fazemos) e muitas vezes gemendo, por mera obrigação, é resto. A melhor maneira de demonstrarmos que honramos e tememos a Deus é vivendo o evangelho, em todas as suas dimensões, no cotidiano. O culto no templo só será verdadeiro se a práxis do cotidiano tem as marcas do evangelho.
2. Resto de tempo - A expressão "que canseira" no versículo 13, de Malaquias 1, é muito clara. O povo não participava ativamente dos serviços religiosos, no Templo, porque estava cansado. Considerando-se o domingo como dia de ajuntamento solene do povo de Deus, os cristãos tiveram em 2007 cincoenta e duas oportunidades de cultuá-lo de forma corporativa. O mesmo índice pode ser aplicado às outras reuniões semanais. Oportuno, neste momento, que cada um pergunte de quantas reuniões participou? A não participação na vida de uma Igreja local nem sempre se deve a falta de tempo, mas ao fato de que o envolvimento com o secularismo é tão grande, que "sobra" pouco para essa ação biblicamente saudável e necessária de participar da vida da Igreja, para crescimento, fortalecimento da comunhão, etc. A grande verdade é que, salvo uma ou outra exceção, nem sempre os cristãos priorizam o reino de Deus, como orienta Mateus 6,33.
3. Resto dos dízimos e ofertas - Em Malaquias Deus manda um recado duro não para os que não estavam contribuindo. Mas, para os que contribuíam de forma incorreta. Oportuno lembrar que na antiga dispensação "ninguém comparecia de mãos vazias diante de Deus". Todos dizimavam ou ofertavam de alguma forma. Hoje, a prática da devolução incorreta continua a existir. E cresce o índice daqueles que nem contribuem. No primeiro caso, temos um episódio emblemático no Novo Testamento. Um casal contribuiu para a causa religiosa. Mas, trouxe apenas resto. O destino de Ananias e Safira foi a morte. Os que não levam a sério a determinação bíblica de contribuir de forma aceitável a Deus e os que nem contribuem deveriam considerar com seriedade esses referenciais bíblicos. A contribuição indevida (restos) e a não contribuição (que é pior) podem ser um indicativo de "morte espiritual".
Nos tempos de Malaquias havia culto, no templo. Tudo conforme as exigências rituais da época. Porém Deus não estava se agradando. O profeta usa um referencial duríssimo para dimensionar o sentimento divino: o ato do templo, que deveria ser o melhor momento corporativo dos fiéis, cheirava mal para Deus, como excremento. Que esse referencial bíblico possa estar diante de nossos olhos, para que coloquemos como um dos alvos principais de 2008 uma adoração que seja agradável ao Senhor, pois Ele não se agrada de "restos".
Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
vivaldo-2008@hotmail.com / site: www.ipbaq.com
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