dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
Tempos atrás quando o conhecido avivalista Caio Fábio, então pastor presbiteriano, cometeu o pecado de adultério, houve um impacto muito grande na comunidade evangélica brasileira e além dela. Não lhe faltaram duras críticas e até um certo regozijo da parte de alguns, que cobiçavam o espaço extraordinário ocupado por aquele líder em termos de palavra autoritativa junto ao público, capaz de promover grandes impactos. Mais uma vez comprovava-se que os chamados pecados da carne, principalmente aqueles gerados por práticas sexuais inadequadas, segundo o modelo estabelecido pelas Escrituras, são os que causam mais estragos dentro e fora da Igreja.
Porém, é no mínimo estranho que alguns dos algozes de Caio Fábio, não tiveram nenhum problema em sair na defesa do casal Sonia e Estevam Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, presos recentemente por sonegação e por outras ilicitudes na área financeira.
É fato que muitos têm uma idéia restrita do que é imoral em nosso meio. O melhor exemplo está em que apenas os chamados pecados relacionados ao sexo são objeto de punição nos redutos evangélicos. O divórcio entre fé e ética, já instalado na vivencia de alguns segmentos da Igreja Evangélica, não é imoral. A manipulação do discurso religioso, principalmente para a obtenção de certas benesses, não é imoral. As práticas e posturas deploráveis resultantes da absorção da teologia da prosperidade não são imorais. E a invocação equivocada de textos bíblicos que falam sobre perseguição, como o texto da segunda carta de Timóteo: "todo aquele que quiser viver piedosamente em Cristo Jesus padecerá perseguição", não é imoral.
Ao estabelecer uma relação entre esses dois fatos não quero sair em defesa de Caio Fábio. E muito menos me posicionar como um juiz cruel em relação aos líderes da Igreja Renascer. Acredito que do ponto de vista bíblicos todo e qualquer pecado merece juízo, exige purificação, precisa da aceitação plena de responsabilidade da parte dos infratores e procede de nossa natureza pecaminosa. Creio também que Deus tem poder para purificar todo e qualquer pecado, mesmo os mais devastadores. Davi, por exemplo, cometeu uma transgressão gravíssima, na relação com Bate Seba, pois cobiçou, roubou, adulterou e matou. Ao chamar por purificação, contudo, no Salmo 51, ele deixava evidente o poder que Deus tem para restaurar pessoas em pecado. Assim, quero ainda ouvir boas histórias dos três personagens em alusão.
Precisamos, porém, rechaçar a estupidez daqueles que criticam apenas a imoralidade das relações sexuais ilícitas, até porque no julgamento de Jesus dificilmente alguém sai ileso neste aspecto. "Só em pensar o homem já peca", observou o grande Mestre diante da hipocrisia dos escribas e fariseus. Portanto, se moral é a parte da filosofia que trata dos costumes ou deveres do homem, qualquer prática que burle os princípios de comportamento estabelecidos na Bíblia, é imoral.
O autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Email/msn: vivaldo_ms@hotmail.com
Site: www.ipbaq.com
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