dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Roberto Pompeu de Toledo, embora crítico da idéia de um Jesus Histórico e para o qual a história do cristianismo é "cheia de furos", é honesto ao lembrar que não há quem desconheça essa história, referindo-se ao capítulo do Jesus da História. Como ele muitos há que não acreditam na historicidade Cristo.A verdade é que poucos assuntos são alvos de tantas especulações quanto esse. Em torno da pergunta se Jesus Cristo existiu de fato ou não, sendo, neste caso um mito, muitas discussões são travadas. Mesmo com o extraordinário desenvolvimento dos estudos bíblicos e da pesquisa cientifica sobre a origem do cristianismo e especialmente sobre a pessoa de Cristo, ainda pairam muitas dúvidas e incertezas sobre o Jesus Histórico.
Houve realmente um homem, chamado Jesus, de acordo com o perfil delineado nos evangelhos bíblicos? Certamente essa pergunta é respondida de diversas formas. Entre os cristãos predomina a compreensão de que os fatos narrados nos evangelhos bíblicos são verdadeiros. Ou seja, aconteceram de forma literal. Há, contudo, aqueles que embora concordando com o Jesus Histórico, têm compreensão diferenciada de alguns eventos que envolveram o seu ministério. Rochos Zuurmond, professor de teologia bíblica na Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, nos fornece um exemplo. No seu livro "Procurais o Jesus Histórico?" ele trabalha com algumas questões mais delicadas e incomodas para o catolicismo e outras religiões cristãs. Argumenta, por exemplo, que Jesus não teve a intenção de fundar uma nova Igreja.
Mas, existem até pensadores que são conceituados como "cristãos" que questionam a historicidade de Cristo. Alguns leitores podem observar que esses não podem receber tal conceituação. Independentemente de se aceitar ou não essa referencia conceitual, a verdade é que alguns salientam que o fato histórico em si não é tão importante quanto os resultados da fé nos ensinos e milagres atribuídos a Jesus, tendo ele existido ou não.
E daí, como lidar com essas imagens conflitantes? Elas põem em dúvida a veracidade do Cristo reverenciado pelo cristianismo ou anula quaisquer esforços para se provar que o projeto de Deus revelado nas Escrituras é confiável e deve se constituir em regra de fé e prática? Certamente que não. Se é verdade que do ponto de vista da pesquisa científica mais exigentes alguns questionamentos podem ser levantados, também é inegável que outros elementos podem conferir autenticidade ao cristianismo, além das fontes dos evangelhos, que são incontestáveis para os que o aceitam como um movimento autentico. Alguns historiadores conhecidos, não cristãos, por exemplo, fazem alusão a Jesus em trechos de suas obras. Entre eles o romano Tácito e o judeu Josefo.
Citar os antigos manuais de iniciação à fé das Igrejas históricas talvez se faça necessário para indicar os paradigmas que dão sustentação a fé em Cristo e no cristianismo como autênticos. A resistência a historicidade de Jesus Cristo e sua obra sem dúvida deve-se a ausência de fé em muitos estudiosos. Mas, não se contesta que o sobrenatural permeia muitas realidades bíblicas. Um estudioso pode negá-lo, mas as provas documentais, que contribuem para a definição de um evento como histórico, existem. Os escritos de Marcos, por exemplo, são reais. E nele o escritor bíblico registra que foi testemunha ocular da morte e ressurreição de Jesus. Ora, a vida do escritor em menção, marcada pela sensatez e honestidade, não autenticariam seu testemunho em relação aos fatos sobre Jesus e a Igreja nascente? A determinação dos primeiros cristão em confrontarem um sistema opressor e até darem a vida pela fé é outro elemento que merece destaque nesta discussão. Dificilmente essas posturas seriam observáveis se não houvesse uma afinidade de seus agentes com o fato histórico da vida e obra de Jesus Cristo, principalmente a sua ressurreição. O retrato pintado dos discípulos e demais seguidores de Jesus no pós morte e a mudança extraordinária de disposição, tempos depois, indica que havia um elemento motivador. Jesus era real. Jesus é real!
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