dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
Roberto Pompeu de Toledo, embora crítico do cristianismo, sendo contado entre os que concebem a história do cristianismo como "cheia de furos", é honesto ao lembrar que não há quem a desconheça, referindo-se ao capítulo do Jesus da história. Tem um presépio no começo, pregação e milagres no meio e, no fim, "um trágico ato de solidão, humilhação e morte". Não há história mais contada, de geração em geração, mais dissecada nos livros, nas artes em geral, do que a história de Cristo. Conhecem-se detalhes ínfimos.
Mas, é lógico que não há unanimidade quanto a historicidade de Cristo. Talvez poucos assuntos sejam alvo de tantas especulações quanto o fato de Cristo ter existido ou não, pelo menos nos moldes pintados pelos quatro historiadores autorizados, Mateus, Marcos, Lucas e João, também chamados evangelistas. O mundo cristão acredita nos fatos relatados por eles como verdadeiros. As eventuais contradições indicadas pelos historiadores não cristãos, que não enquadram as narrativas bíblicas nos parâmetros de "fatos históricos", resultariam da metodologia de cada escritor, que tiveram o cuidado de enquadrar o relato central dentro do devido pano de fundo histórico. Assim, Lucas escreve que tudo começou quando o Rei Herodes reinava na Judéia, sendo Quirino governador da Síria e na ocasião em que Augusto, Imperador de Roma, ordenou um censo universal. "E assim poderíamos prosseguir, chegar ao fim do parágrafo em perfeita paz, etc", lembra o crítico mencionado no início. Para acrescentar: "se não fosse um detalhe: o que se concluiu até agora é falso!".
E daí, houve realmente um Jesus de acordo com o perfil delineado nos evangelhos bíblicos? Certamente essa pergunta é respondida de diversas formas. Entre os cristãos predomina a compreensão de que os fatos narrados são verdadeiros. Ou seja, aconteceram de forma literal. Outros elementos também são importantes para validar a fé no Jesus da história, como vamos ver num próximo artigo. Há, contudo, os que , embora concordando com o Jesus Histórico, têm compreensão distinta de alguns eventos que envolvem o ministério de Jesus Cristo. Rochos Zuuormond, professor de Teologia Bíblica na Universidade Livre de Amsterdã, na Holanda, nos fornece um exemplo pertinente. No seu livro "Procurais o Jesus Histórico?" ele trabalha com algumas questões mais delicadas e incomodas para o catolicismo e outras religiões cristãs. Argumenta, por exemplo, que Jesus não teve a intenção de fundar uma nova Igreja. Em seu livro "A religião de Jesus, o Judeu", de 1993, o húngaro Geza Vermes, professor de estudos judaicos da Universidade de Oxford, na Inglaterra, já assinalava que em nenhum trecho dos evangelhos Jesus contesta qualquer mandamento da Tora, a Bíblia judaica.
Mas, existem até estudiosos, que se definem como cristãos, que questionam a historicidade de Jesus Cristo. Argumentam que o fato histórico em si não é tão importante quanto os resultados da fé nos ensinos e milagres atribuídos a Cristo, tendo ele existido ou não.
O autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Contato: vivaldo_ms@hotmail.com / vivaldodasilva@gmail.com
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