dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
Até o século 19 o conhecimento histórico de Jesus era muito reduzido. As únicas fontes amplamente conhecidas sobre sua vida e ensinamentos foi foram o Novo Testamento, especialmente os evangelhos de Marcos, Mateus, Lucas e João. Talvez pos isto, exatamente a partir deste ano os estudiosos da religião começaram a admitir que os textos evangélicos, assim como todo o conteúdo da Bíblia, não podiam ser aceitos como trabalhos históricos. Essa conclusão é resultado das imagens conflitantes de Jesus que começaram a surgir, a partir de diversas pesquisas.
Hoje pode se dizer que a despeito do grande desenvolvimento dos estudos bíblicos e da pesquisa científica sobre a origem do cristianismo, e especialmente sobre a pessoa de Jesus Cristo, ainda pairam muitas dúvidas e incertezas sobre o Jesus Histórico. Isto, então, põe em dúvida a veracidade de Cristo ou anula quaisquer esforços no sentido de provar que o projeto de Deus revelado nas Escrituras é confiável e deve se constituir em regra de fé e prática? Certamente que não. Se é verdade que do ponto de vista da pesquisa científica mais exigente alguns questionamentos podem ser levantados, também é inegável que diversos elementos podem conferir autenticidade ao cristianismo, além das fontes dos evangelhos, que são incontestáveis para os que aceitam o cristianismo como um movimento autentico. Alguns historiadores conhecidos fazem alusão a Jesus como um personagem real em trechos de suas obras. Ou seja, algumas fontes não-bíblicas atestam a historicidade de Jesus. Podemos destacar citações de Flávio Josefo, historiador que viveu no primeiro século; Tácito, historiador romano; Suetonio, na obra "Vida dos Doze Césares" e Tertuliano, escritor latino. Na área de registro histórico merece citação, também, os Talmudes Judeus e os escritos dos Pais da Igreja.
A resistência à historidade de Cristo e sua obra sem dúvida se deve a ausência de fé da parte de muitos estudiosos, que concebem apenas a razão como instrumento de autenticação para um fato. Um estudioso pode não aceitar determinados fatos ou eventos como históricos, confinando-os ao âmbito da crendice humana. Mas, isto não muda o fato que os textos escriturísticos não são desprovidos de quaisquer elementos lógicos e racionais. Os escritos de Marcos, por exemplo, são reais. E neles o escritor bíblico registra que foi testemunha ocular da morte e ressurreição de Cristo. A determinação dos primeiros cristãos em confrontarem um sistema opressor e até darem a vida pela defesa da fé cristã é outro elemento que merece destaque. Dificilmente essas posturas heróicas seriam adotadas se não houvesse uma afinidade de seus atores com o fato histórico da vida e obra de Jesus Cristo, principalmente sua ressurreição. O retrato pintado dos discípulos e demais seguidores de Jesus no pós-morte e a mudança extraordinária de disposição, dias depois, indica que havia algum elemento motivador. O sacrifício de Telêmaco na arena romana, que pos fim a perversa prática das lutas entre gladiadores, e outros, como Policarpo, bispo de Esmirna, não teriam sido ações isoladas, mas ações conscientes de pessoas que descobriram em Jesus Cristo uma razão maior para viver. Os milagres de Cristo também ajudam a construir sua historicidade. Cairns escreve que "a possibilidade e probabilidade dos milagres são demonstradas pela existência de registros históricos que dão conta destes milagres como fatos históricos. A pessoa e obra de Cristo receberam autenticação de muitos contemporâneos Seus por causa dos milagres que Ele realizou. A historicidade de Cristo, por essas e outras razões, continuará suscitando debates acalorados ao longo da história. E até por isto Jesus Cristo continuará sendo o personagem mais conhecido da história. Para os cristãos, Deus que se manifestou em carne. Para os ateus, um mito a ser combatido. E para outros, alguém com várias possibilidades (filósofo, poeta, revolucionário, etc). E para todos, simplesmente Jesus!
O autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
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