dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
O amor e a discriminaçãoUma história do cotidiano: num vôo da British Airways entre Johannesburgo e Londres uma senhora branca, de uns cinqüenta anos, sentou-se ao lado de um rapaz negro. Visivelmente perturbada, chamou a aeromoça:
- "Qual o problema?" Perguntou a aeromoça.
- "Você não está vendo"?Respondeu a senhora. "Você me colocou ao lado de um negro Eu não consigo ficar ao lado destes nojentos. Me dê um outro assento".
- "Por favor senhora, acalme-se", disse a aeromoça. "Quase todos os lugares deste vôo estão tomados. Vou ver se há algum lugar disponível", acrescentou, se afastando. Minutos depois:
- "Minha senhora, como eu suspeitava, não há lugar vago na classe econômica. Eu conversei com o comandante e ele me confirmou que não há mais lugares na executiva. Entretanto, ainda temos um lugar na primeira classe" . E antes que a mulher pudesse fazer qualquer comentário, a aeromoça acrescentou: "É totalmente inusitado a companhia conceder um assento de primeira classe a alguém da classe econômica. Mas, dadas as circunstancias, o comandante considerou que seria escandaloso alguém ser obrigado a sentar ao lado de uma pessoa tão execrável". E dirigindo-se ao rapaz negro, a aeromoça completou: "Portanto, senhor, se for de sua vontade, pegue seus pertences que o assento da primeira classe está à sua disposição".
E todos os passageiros ao redor, que chocados acompanhavam a cena, levantaram-se e aplaudiram!
Embora o cristianismo defenda o amor como princípio fundamental nos processos relacionais, no chamado "mundo cristão" o tratamento que se dá aos "diferentes" (se é que essa seja a palavra apropriada) chega a extremos como esse (a senhora do relato afirmou ser "cristã"). Mas, do ponto de vista bíblico¸ o amor só pode ser exercido plenamente por aqueles que verdadeiramente possuem, em si, o amor de Deus. Isto ficou bem evidente por ocasião do famoso ataque terrorista ao Word Trade Center. Em meio ao desejo de retaliação de muitos confessionalmente cristãos, alguns, também cristãos, manifestaram tristeza e repúdio pela ação, mas, por outro lado, falavam em perdão.
Alguém disse que os homens podem ser levados a aceitar o evangelho muito mais facilmente, se tivermos uma postura de amor para com eles. Stanley Jones, um dos maiores pregadores evangélicos da história, ilustra esse conceito com um relato que o tocou, profundamente. Certa vez ele surpreendeu-se com a presença de um indu num de seus retiros espirituais. Perguntou, então, o que o levara até o local.
- "Sabe por que vim? Há muitos anos quando eu era menino, nós atormentamos um missionário que estava distribuindo folhetos em um bazar. Jogamos tomates nele. O missionário enxugou do seu rosto o caldo dos tomates e então, convidou-nos para irmos a uma confeitaria, onde comprou-nos doces. Eu vi o amor de Cristo naquele dia. E por isto estou aqui".
A forma de nos relacionarmos com as pessoas que não conhecem com mais profundidade o evangelho de Jesus Cristo pode causar um grande impacto em suas vidas. Por isto Jesus, ao tentar ilustrar a presença do amor de Deus na vida de uma pessoa, na esfera da relação "tu-ele", lembra do bom samaritano. Aquilo foi proposital. O homem caído à beira da estrada, talvez não tivesse nenhum estereótipo de um homem religioso. A Bíblia se refere a ele como "certo homem" e nada mais. Nenhum cristão dentro de um modelo convencional operacionalizou o amor de Deus no contexto da sua dor. Apenas o samaritano. Esse é o modelo que devemos seguir: amar, indiscriminadamente!
*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
vivaldo_ms@hotmail.com
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