dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:03
Qualquer análise que se faça da fé cristã há de destacar o seu conteúdo como um elemento extraordinário. Ou seja, o "evangelho" , palavra usada para resumir toda a mensagem cristã, confere singularidade ao cristianismo. Quando escreve aos Tessalonicenses, na primeira carta, o apóstolo Paulo destaca três aspectos sobre o evangelho, que explicam sua singularidade:
O evangelho, primeiramente inclui Palavra. Ao dizer que o evangelho não chegou até os tessalonicenses "apenas em palavras", Paulo indica que ele inclui "palavras", a exemplo de outros credos. A expressão "apenas em palavras", porém, foi usada para excluir a possibilidade de alguém ver os ensinos bíblicos como uma espécie de nova filosofia ou uma mais uma expressão de fé. Nos debates acalorados sobre idéias, era comum a concepção de que determinados conceitos difundidos eram "apenas palavras". D. Kemmler, a propósito, insiste com razão que a expressão paulina não diminui a importância do elemento "palavra". Há um lugar apropriado para um apelo compreensível à mente humana na apresentação do evangelho. Mas, apenas a palavra externada, verbalizada, falada não conseguiria convencer o homem quanto a verdade e importância do evangelho.
Um segundo elemento do evangelho é fundamental. Ele tem poder. Palavras humanas seriam inúteis se a mensagem do evangelho não tivesse poder. Um poder que contem a força vivificadora do Espírito Santo. É por causa dele que as pessoas são tocadas e têm suas vidas mudadas. Ao associar a palavra "poder" à pessoa do Espírito Santo, Paulo deixa claro que o Espírito Santo é a base de todo o poder espiritual, o agente de convicção em relação as "palavras" do evangelho.
A mensagem do evangelho mudou a própria vida de Paulo. Depois, já ativo no ministério, ele viu e ouviu desse poder operante na vida de muitas pessoas. Onésimo, por exemplo, era um ladrão incorrigível. Quando ouviu o evangelho, na prisão, experimentou o resgate de uma cidadania responsável e operante. A história de Zaqueu ainda encontrava forte eco em seu tempo. Era o típico ladrão de colarinho branco. Confrontado com o evangelho, abandonou as práticas delituosas. Paulo entendia que o poder do evangelho é o único remédio para curar os males da sociedade.
Finalmente, ao dizer que o evangelho chegou até os tessalonicenses "em plena convicção" o apóstolo proclamava que "o evangelho convence". Ou seja, exatamente porque não contem meras palavras humanas, mas é a palavra poderosa de Deus (I Ts. 2,13), que ele pode convencer o homem de que, sem Cristo, o homem está na pior situação possível, ou seja, "morto em delitos e pecados" (Ef. 2,1) e separado de Deus (Ef. 2, 1-3). Em apenas duas passagens de seus escritos Paulo usa a expressão "em plena convicção". A outra é em Colossenses 2,2. Em ambos os casos a idéia principal é a de que o evangelho produz uma completa compreensão, levando os homens a reconhecer a estatura da pessoa de Cristo, que é o mistério de Deus.
Nos dias conturbados que vivemos, profetizados pelo próprio Paulo quando escreve aos sua Segunda Epístola a Timóteo (cap. 3), o evangelho, em sua inteireza, se apresenta como o único remédio capaz de produzir homens melhores. As reformas sugeridas, no momento, em várias instancias, não serão suficientes para deter o avanço do egoísmo e arrogância entre os homens se o evangelho não penetrar em seus corações.
*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
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