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Rev. Vivaldo Melo

Palmadas!

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"Dói? Um tapinha não dói..."

Fui criado dentro do "modelo disciplinar antigo", onde as transgressões das crianças eram punidas com palmadas ou com algumas "varadas". Até "cintadas" levei. Não conheço ninguém que tenha sido alvo desse processo corretivo, quando precedido de um ensino claro sobre certos valores, que tenha apresentado traumas psíquicos, posteriormente, ou tenha queixa dos pais pelo método empregado. Entendendo, porém, que o uso da palmada ou mesmo da "varinha de Salomão", como alguns gostam de dizer, sempre será prejudicial, a deputada Maria do Rosário, do PT do Rio Grande do Sul, elaborou o texto do projeto de Lei 2.654 para ser votado no Congresso.

A discussão sobre o assunto não é nova. Há muito, no campo da psicologia, a disciplina que envolve o uso da palmada ou algo similar é condenada. Entendem os psicólogos que outros meios disciplinares podem ser usados com resultados finais positivos. Será? Obviamente devemos ser contra toda forma de violência, tortura e tratamento desumano, principalmente em relação às crianças. A Bíblia e a Igreja sempre tiveram esse posicionamento. "Não te excedas" orienta Salomão em Provérbios 19, 18, onde fala de disciplina.

Contudo, a mesma Bíblia orienta os pais a corrigirem os filhos quando necessário e "enquanto há esperança". E indica "a vara" como instrumento para tal. Seria essa expressão uma mera figura de linguagem nos textos bíblicos? Embora o termo possa simbolizar qualquer tipo de correção disciplinar, pouca dúvida há de que a punição corporal era aprovada em alguns situações. Há farta referencia sobre isto em outros textos de Provérbios (10,13; 22,15; 23, 13-14; 29,15). Ocorre que os textos que falam do uso "da vara" como instrumento de correção fluem de contextos onde os mandamentos de Deus são ensinados. E todos esses textos vinculam a ação corretiva por meio da vara a um ato de amor. Isto está muito longe da realidade que presenciamos no dia a dia em muitos lares, onde o mandamento bíblico de "ensinar a criança no caminho que deve andar" é ignorado até por conta da falta de conhecimento que muitos têm do projeto de Deus para a vida. O que vigora, então, é a violência verbal e física. Outro dia, em certa altura da Duque de Caxias vi uma mãe puxando a filha pelos cabelos enquanto a chamava de "égua" e outras coisas depreciativas.

Tão danoso quanto a violência física ou verbal pode ser a retenção da vara, numa fase específica da vida. Talvez por isto muitos pensadores estão revendo seus conceitos sobre o assunto e indicando exatamente um caminho intermediário no processo de educação das crianças. Parafraseando Camões, "ensinar é preciso" . O uso da palmada ou da vara, como queiram, só como um recurso final. Mas, não deve ser descartado, principalmente nas relações que envolvem amor.

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