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Rev. Vivaldo Melo

Precisamos mudar de atitude!

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Tempos atrás uma das canções que mais fez sucesso nas paradas, de Wilson Simonal, dizia que moramos num país "abençoado por Deus". Não há dúvidas de que o Brasil tem potencialidades extraordinárias. E intriga o fato de sermos uma nação com tantos problemas. A coisa é tão séria que até no campo da espiritualidade diversos diagnósticos já foram feitos. Onde estariam as razões de nosso atraso, considerando-se as riquezas que temos? Há quem pregue por aí que estaríamos debaixo de maldição. Será?

Tem circulado nesses dias um texto muito interessante e que talvez responda alguns de nossos questionamentos. Ele fala da diferença entre os países pobres e ricos. Começa por lembrar que ela não tem relação com a idade do país, citando o exemplo da Índia e Egito, que têm mais de 2000 anos e são pobres e traçando um paralelo com Canadá, Austrália e Nova Zelândia, que há 150 anos eram inexpressivos e hoje são países desenvolvidos e ricos. A diferença também não reside nos recursos naturais disponíveis. O Japão possui um território limitado, 80% montanhoso, inadequado para a agricultura e para a criação de gado, mas é a segunda economia mundial. O país é como uma fábrica flutuante, importando matéria-prima do mundo todo e exportando produtos manufaturados. Outro exemplo citado no texto é a Suíça, que não planta cacau, mas tem o melhor chocolate do mundo. Em seu pequeno território cria animais e cultiva o solo durante apenas 4 meses do ano. Já imaginaram se isto acontecesse por aqui? Não obstante, fabrica laticínios da melhor qualidade. É um país pequeno que passa uma imagem de segurança, ordem e trabalho, o que o transformou no caixa forte do mundo. Outro exemplo que qualquer análise sobre o assunto evidencia é o da capacidade intelectual. Executivos de países ricos que se relacionam com seus pares de países pobres mostram também que não há diferença intelectual significativa. A raça ou a cor da pele também não pesam, pois os imigrantes rotulados de preguiçosos em seus países de origem são a força produtiva de países ricos.

Qual é, então, a diferença? O texto coloca de maneira enfática que a diferença está na atitude das pessoas, moldada ao longo dos anos pela educação e pela cultura. E fico pensando comigo: "pena que os brasileiros não entenderam a mensagem de Cristóvão Buarque nas recentes eleições!". O autor anônimo do preciso texto observa que "ao analisarmos a conduta das pessoas nos países ricos e desenvolvidos, constatamos que a grande maioria segue os seguintes princípios de vida: a ética como princípio básico, a integridade, a responsabilidade, o respeito às leis e regulamentos, o respeito pelo direito dos demais cidadãos, o amor ao trabalho, o esforço pela poupança e pelo investimento, o desejo de superação e a pontualidade". Fiquei tremulo ao ver esses dados, que procedem de estudos cuidadosos. Porque eles se encaixam perfeitamente nos padrões estabelecidos por Deus para a vivencia do homem. Mas, deixemos a análise desses dados do ponto de vista da religiosidade, em respeito ao autor do documento, para citar outra observação do mesmo: "nos países pobres apenas uma minoria segue esses princípios básicos na vida diária". Em suma, então, não somos pobres porque nos faltam recursos naturais ou porque a natureza foi cruel conosco. Aliás, Wilson Simonal tem razão em sua poesia. Deus legou ao Brasil um pedaço de chão incrível, com riquezas extraordinárias. Mas, o homem brasileiro tem se revelado um péssimo administrador. O texto em menção não deixa de lembrar algo que incomoda qualquer cidadão consciente: "Somos pobres porque nos falta atitude (...). Somos assim por querer levar vantagem sobre tudo e todos. Somos assim porque temos a tendência de ver algo errado e dizer "deixa-prá-lá!". Terminei a leitura com profunda tristeza, concordando com o autor. E só não lhe enviei um email de congratulações porque ele não se revelou. Aliás, esse é outro problema do brasileiro: dificilmente mostra a cara quando fala a verdade, por razões que nós também conhecemos. As retaliações são comuns. E olha que dizem por aí que vivemos numa democracia...

*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
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