dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Minha geração, que já completa quase meio século, sempre ouviu o discurso do desejo de se viver num país melhor. É certo que muitas coisas melhoraram, nas últimas décadas, mas estamos longe, ainda, de ser um país realmente "abençoado por Deus", como dizia canção de Wilson Simonal. Vejo muita semelhança entre o que vivemos hoje e os dias de Miquéias, indicados no pequeno livro profético do Velho Testamento. Como exemplificar é bom, basta lembrar que havia muita idolatria e imoralidade naqueles tempos. Deus então chamou um homem simples, rude, que morava num lugar pequeno chamado Moresete Gate, para entregar uma mensagem de arrependimento para aquele povo. Esse seria o meio para uma futuro abençoador.
Não é exagero dizer que Deus não se agrada com o que se passa em nosso país, especialmente no âmbito político, onde grande parte dos chamados representantes do povo perderam de vez a vergonha. O que é necessário para que o Brasil de fato seja um país abençoado por Deus, com isto se refletindo em várias esferas da vida?
Primeiramente o Brasil precisa deixar de ser um país idólatra. Nosso país é um dos campos mais férteis para o plantio das mais absurdas expressões de fé. Nos tempos de Miquéias a idolatria tomava conta de Samaria e caminhava na direção de Jerusalém. Essa idolatria gerava opressão. No Brasil não é diferente. E nos diversos diagnósticos que os especialistas fazem sobre nossos problemas maiores, nunca se menciona a idolatria como um fator determinante, afinal Deus nunca puniria o homem pela opção de fé que esse faz. Mas, como Miquéias temos a responsabilidade de dizer que Deus abomina a idolatria, que é toda e qualquer expressão de fé não direcionada ao Deus verdadeiro, que se manifestou em Cristo e que nEle morreu para salvar o homem pecador.
O Brasil precisa, em segundo lugar, deixar de ser um país imoral. Na época de Miquéias os dirigentes da nação, os políticos, os sacerdotes e até os pregadores eram responsáveis por uma inversão lamentável de valores moral: eles aborreciam o bem e amavam o mal (Mq. 3,2). Miquéias denunciou essa situação, conclamando todos a buscarem e bem e não o mal. As imoralidades condenadas pelo profeta não nos são estranhas. Os ricos fazendeiros estavam oprimindo os trabalhadores braçais. E o pior é que esses fazendeiros eram religiosos. Freqüentavam os templos religiosos. Faziam suas preces. Isto é imoral! Os falsos profetas pregavam sermões encomendados. Ou seja, falavam das mazelas do povo. Não podiam falar em injustiça social. Isto é imoral! Aborrecer o bem e amar o mal é uma expressão bíblica que incorpora dezenas de imoralidades praticadas pelos que tem o poder de decidir as coisas: é a imoralidade da exploração, da violência, da corrupção, do desrespeito a vida, do silencio, etc. Miquéias reprovou corajosamente a imoralidade de seu tempo e anunciou o juízo do Senhor como possibilidade real.
Mas, para que o nosso país seja de fato "abençoado por Deus", ele precisa ser um país de um povo cristão que lhe seja fiel, de fato. Nos tempos de Miquéias vivia-se uma teocracia. Ou seja, os governos de Israel e Judá, teoricamente, se embasavam nas leis de Deus. Esse modelo não existe mais. Contudo, a Igreja hoje é referencia do projeto de Deus para o mundo. Neste sentido precisamos refletir um pouco sobre a Igreja do Senhor Jesus em terras brasileiras. Tem sido essa Igreja fiel à Palavra, em tudo o que a Palavra diz? Particularmente tenho minhas dúvidas. Nos tempos de Miquéias não importava, para a maioria das pessoas, a vida que levavam, desde que cumprissem determinadas obrigações religiosas. Deus, através do profeta, deixou claro que não se importava com os milhares e milhares de animais sacrificados em holocausto, pelos fiéis. Ele queria mudança de atitudes morais e espirituais. Igualmente, Deus, hoje, não se agrada com um monte de coisas que se faz por ai, por multidões delirantes, em nome do Senhor Jesus. Sacrifícios inúteis. Os cristãos brasileiros precisam ser mais fiéis a Deus, no sentido de obedecê-lo em tudo, inclusive não se conformando com as formas que ai estão. Quando isto acontecer, seremos de fato uma nação "abençoada por Deus".
O autor é pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Pós graduado em Ciências da Religião
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