dothCom Consultoria Digital
Publicado em 06/06/2011 às 04:00
Atualizado em 10/09/2026 às 14:04
Há alguns anos atrás, na cidade de Campo Grande, uma jovem cheia de vida, bonita, talentosa, realizou um de seus sonhos: passou no vestibular de medicina. Toda a alegria do período que fez o curso foi interrompida, quando já estava no ultimo ano constatou-se que ela estava com câncer. Na sua luta pela vida, ainda especializou-se em oncologia. Mas, não conseguiu reversão no seu quadro clínico. Sofreu anos e anos. Pouco antes de sua morte, o coral de uma Igreja na qual tocou piano por vários anos, executou uma cantata natalina. Os componentes nem puderam entrar no quarto, pois seu estado físico era crítico e os que a conheceram saudável poderiam ficar chocados. Já nessa época somente os médicos e os familiares mais próximos tinham acesso ao seu leito. Apenas uma fresta da porta foi aberta, para facilitar a entrada do som. Na medida em que ouvia os cânticos marcantes contando a história de Cristo, as lágrimas banhavam seu rosto.
O mais impressionante na longa fase de sofrimento daquela jovem médica, que nem chegou a exercer a profissão, foi a sua fé em Cristo, que se manteve intacta. Ela certamente obteve conforto na Bíblia, que tem muito a dizer sobre o sofrimento humano, especialmente as Cartas do apóstolo Pedro. A mensagem central de suas cartas é o sofrimento. Seus leitores e companheiros de lutas estavam sendo alvo de severa perseguição, por causa da decisão de abraçar a fé cristã. Objetivando orientá-los, Pedro diz três coisas especiais que continuam sendo ensinamentos válidos para consolar os cristãos em quaisquer sofrimentos:
1. Devemos olhar para o exemplo de Cristo - Os sofrimentos de Cristo devem se constituir em exemplo para os cristãos na hora do sofrimento. Em certo sentido, os sofrimentos de Cristo são os nossos (I Pe 2,21) quando eles resultam da perseguição do mundo, por causa da necessária não conformação com seus padrões. Mas, também todo e qualquer sofrimento faz com que o cristão co-participe dos sofrimentos de Cristo. Estranhamente algumas novas teologias têm deturpado essa visão, excluindo a dimensão do sofrimento da práxis cristã. Ora, a Bíblia em nenhum momento diz que não teríamos sofrimentos, mas sim que Cristo nos fortalece nestes momentos, porque soube melhor do que ninguém o que é sofrer.
2. Devemos nos lembrar que somos povo de Deus - Depois de referir-se aos seus leitores como "estrangeiros no mundo", (I Pe 1,1), Pedro lembra-os que são, porém, raça eleita, sacerdócio real, nação santa e povo de propriedade exclusiva de Deus. Nossa Pátria não é terrena. Fomos colocados no mundo para resplandecer a glória de Deus em tudo, inclusive na capacidade de suportar o sofrimento. No sofrimento o verdadeiro cristão tem o seu caráter tratado de forma tal que o levará a ser cada vez mais semelhante a Jesus Cristo. Aqueles que dizem ser cristãos e que não passam pela dimensão do sofrimento e não suportam-no com paciência, pertencem a outro reino. Estão sendo enganados pelo diabo.
3. Devemos manter a esperança - Pedro fala de uma esperança viva, criada pela ressurreição de Cristo (I Pe 1,3) e que será concretizada na sua volta (I Pe 1,7). Nossa esperança se fundamenta em alguém que venceu todas as dificuldades, desafios e contratempos. Neste ensino petrino aqueles que passam pela vida sofrendo de forma inexplicável, têm certamente o maior conforto. O que vivemos na realidade do aqui e do agora não é tudo. A vida não cessa. As promessas do que espera pelo cristão numa outra dimensão devem ser o antídoto contra a tentação de blasfemar ou negar a Deus quando o sofrimento é mais atroz.
Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
vivaldo_ms@hotmail.com
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