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Rev. Vivaldo Melo

Transformando a matéria prima

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Artigo publicado recentemente mostra que uma das maiores necessidades do nosso país é um trabalho de base, envolvendo todos os homens de boa vontade, para se mudar a matéria prima. Alguns dados auferidos por pesquisas do comportamento do homem brasileiro são preocupantes. A constatação, por exemplo, de que grande parte das pessoas não vê mais problemas em as autoridades serem corruptas, sejam elas quais forem, desde que atendam algumas de suas expectativas, chega a ser aterrador. Já vimos esse filme na América Latina. Quem não se lembra do povo argentino indo às ruas, aos gritos, defendendo Perón, usando um bordão que dizia "não importa que seja ladrão, queremos Perón"? E todos nós sabemos do caos que se instalou no país visinho.

Lógico que os tempos são outros. Vivemos numa democracia. E até por conta disto há esperança para o futuro. Mas, não devemos ser ingênuos a ponto de achar que uma simples reforma política muda o quadro que aí está. É preciso, sim, reformar a mentalidade do povo brasileiro. E para que isto aconteça, faz-se necessário um grande pacto, que inclua a possibilidade de se discutir, sem partidarismos, determinadas questões fundamentais. Num projeto como esse a educação precisa ser repensada. No mínimo uma questão muito séria precisaria ser colocada. Questão que dá título há um importante artigo do educador cristão Solano Portela: o que estão ensinando aos nossos filhos? Vivemos crises preocupantes em nosso país, como a de ética e moralidade, porque vivemos uma crise em nossas escolas, enraizada na filosofia de ensino implantada nas últimas décadas, sem nenhuma contestação. A crise da família, onde os valores elementares devem ser ensinados, tem outro peso significativo para a deformação verificável no sistema. Em ambos os contextos Deus tem sido excluído, por conta do avanço da secularização.

Mas, outro contexto de ensino precisa de reformas. A Igreja tem falhado no seu papel de ser um instrumento de formação de valores. As idéias fixas de crescimento, fruto de métodos humanos importados especialmente dos EUA, é um dos fatores que mais contribuem para isto. Texto recente publicado na revista ULTIMATO lembra, oportunamente, que "diminuímos a altura do paradigma" ("Sejam santos porque Eu sou santo"). Ao omitir-se da missão de pregar a salvação toda, que envolve a necessidade de mostrar aos fiéis que nenhuma forma de pecado deve ser aceita pelo cristão, a Igreja tem incorporado os anti-valores que norteiam a sociedade alienada de Deus.

Se essas fontes de formação tem se apresentado falhas, o que resulta é uma matéria prima defeituosa. E se relutarmos em aceitar isto como um fato, dias melhores certamente não virão. Aliás, não quero ser profeta do caos. Mas, do ponto de vista bíblico, esse ideal não será atingido pelas sociedades humanas. Lamentavelmente caminhamos para o caos. Isto, contudo, não anula os esforços pelos ideais de justiça e fraternidade nas relações humanas. Os cristãos devem envidar todos os esforços por isto, numa luta permanente que tem como objetivo maior minimizar os efeitos da degeneração do gênero humano no tempo presente e, acima de tudo, apontar para a existência de uma nova sociedade, que se constrói em Cristo.

*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
vivaldo_ms@hotmail.com

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