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Rev. Vivaldo Melo

Violência no país: a alternativa que as autoridades não indicam...

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*Rev. Vivaldo da Silva Melo

A explosão de violência no país, nos últimos dias, a partir de São Paulo e sob a coordenação de grupos criminosos organizados, trouxe à tona a velha discussão sobre as suas raízes mais profundas. Muito se falou da necessidade de maior investimento na educação e em programas sociais. Foi esse o argumento, por exemplo, do presidente da República, que associou os altos índices de violência no país à fragilidade do sistema educacional e à pobreza. . De pronto o argumento foi contestado por diversos intelectuais e pela própria mídia, com base em dados estatísticos da Unesco. Não faltou quem lembrasse que muitos dos agentes da violência urbana são pessoas intelectualmente bem preparadas e com alto padrão de vida, fruto dos lucros podres do narcotráfico. Os ideólogos do PCC, por exemplo, lêem com freqüência os maiores pensadores do comunismo, tendo criado uma cartilha que se vale de alguns de seus pressupostos, e tem muito dinheiro tentar comprar favores e até para financiar campanhas políticas.

O problema, portanto, é muito mais complexo. Ninguém questiona que certas ações preventivas podem surtir melhor efeito do que a mera repressão ou a criação de determinadas leis. Também é pacífico que as políticas de inclusão social - especialmente para crianças e adolescentes - , o combate eficaz ao desemprego, melhor poder de compra do salário, distribuição de renda mais justa, aperfeiçoamento do judiciário e o melhor aparelhamento das polícias são imprescindíveis para uma vivencia comunitária mais fraterna. E, finalmente, que a educação pode contribuir decisivamente para desarmar os espíritos do povo, afinal, entre os seus benefícios está a possibilidade de termos um contingente maior de cidadãos que saibam exigir e cobrar mais essas medidas dos governantes.

Entretanto, mesmo todas essas alternativas não produzirão uma sociedade menos violenta. Algo imprescindível está faltando: as pessoas precisam se voltar para Deus, vendo-o como maior fonte de amor, paz e justiça. Por tratar-se de uma tese religiosa, ninguém a tem listado nos debates acalorados dos últimos dias. Ocorre que grande parte da população brasileira é, confessionalmente, cristã. Assim, muitos que poderiam atuar como profetas de um tempo de caos, indicando que o afastamento de Deus produz inevitavelmente uma sociedade sem referenciais, simplesmente tomam a forma do mundo alienado deste, reproduzindo seu discurso. Mais triste é constatar que de forma corporativa a Igreja, neste momento da história, tem ignorado a sua missão profética, de ser a consciência do Estado, denunciando o mal, onde ele estiver. Em termos gerais o discurso contra o pecado estrutural é tímido. Entre as razões estão o vínculo de muitas denominações com grupos políticos, o medo e a visão absurda de que determinados posicionamentos não são de sua competência. Até que acordemos, muitas mortes ainda serão necessárias, infelizmente.

*Pastor da Igreja Presbiteriana de Aquidauana
Email:
pvhvivaldo@hotmail.com

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