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Ruben Figueiró de Oliveira

Tempos Estranhos

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Há muito não visitava o meu velho amigo e valoroso correligionário de saudosas jornadas eleitorais, o Pompílio. Consultando a memória, creio que a última vez foi logo após as eleições de outubro do ano passado, 2006. Fui vê-lo no último final de semana. Recebeu-me com aquele seu jeitão gauchesco, estrepitoso, espontâneo, aberto como se estivesse campo fora a camperiar retocando uma ponta de gado para o rodeio. Sempre e sempre voltando para reminiscências de seus pagos lá das canhadas, coxilhas de seu Rio Grande. Assentei-me na roda do "amargo" em que ele presidia mateando há algum tempo com seus familiares.

Pompílio não esperou que puxasse conversa e foi pipocando "que tempos estranhos, molestantes" estamos vivendo, heem Figueiró!... Antes que me manifestasse - concordando evidentemente - repoltreou-se no banco, esganiçou sua voz de espanto e contrariedade: nunca pensei que o Brasil se chegasse a tanto. Nada obstante sua idade matusalênica - já no "piquete dos noventa", como diz ele - mantém uma memória prodigiosa no relato dos fatos atuais, presentes, contrariando o que dizem que o velho só se lembra bem de fatos há muito passados. Disse Pompílio de sua inconformidade, cutucando com veemência os escândalos levados para "debaixo do baxeiro imundo de peão preguiçoso" (referia-se ao esquecimento que as autoridades os levaram) do Waldomiro Diniz, do Valerioduto, das sanguessugas, dos mensaleiros, suas ramificações e dos pérfidos quejandos atuais e cuja pútrida avalanche está infectando a confiança do povo na estrutura do poder público. E o pior, disse Pompílio, a autoridade maior do país "faz de conta" que está governando, mas a toda hora é surpreendido com a explosão de fatos delituosos que ameaçam os alicerces de pessoas e entidades que, política ou familiarmente, dele estão próximos.

Ouvi. Só o Pompílio se manifestou. Não compreende como o desfibramento ético e moral está atingindo amplos setores da sociedade brasileira. Voltou às recordações pretéritas e como que perorando exaltou a Revolução Federalista lá no seu torrão gaúcho quando havia lideres de fibra, não se dobravam ante os desmandos e a corrupção, como Gaspar Silveira Martins, homem de princípios rígidos, segundo os quais "as idéias não são como metais que se fundem."

Tempos estranhos estes, os atuais, não há idéias, só metais, concluiu Pompílio, cidadão de seu tempo que, parece, não terá outro igual.

*Foi deputado Estadual, federal, secretário de Estado, conselheiro do Tribunal de Contas. É senador suplente

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