Valdemir Gomes
Mais um mendigo urbano...
Perambulando pelas rodovias.
Se pudesse falar... Diria:
“Estão... Me dizimano!”
“Eu... Cadáver fétido virano!”
__Faça algo diferente...
Acorda... “Minha Gente!”
Vivo um grande dilema...
Sou parte do... Ecossistema!
Salve o meio... Ambiente!
A vegetação... Em brasas!
... Entro em desespero!
Mudo... Costumes, roteiro!
Minha cauda vira... Asa!
Fujo da minha... Casa!
Vivo em torno das cidades.
Uma nova... Realidade
Destruíram meu abrigo.
Alimentar-me... Não consigo!
Tamanha a atrocidade...
Virei grande... Placa!
Às margens da rodovia.
Minha prole... Quem diria!
Nem aparece em maca!
Veículos insanos... Atacam!
Viro dejeto... Caveira!
Vestígios... Cadáveres, esteira!
Alimento para corvo.
Na verdade sou... Estorvo!
Pedir clemência... Besteira!
O saudoso pantanal...
Foi meu berço de infância.
O homem... Sua ganância!
Destruiu o belo... Natural!
Transformaram em... Vegetal!
Fornos , brasa... Carvão!
Animais em procissão...
Abandonam o recinto.
Sou verdadeiro... Não minto!
Mundo em... Erupção!
Poema: Valdemir Gomes dos Santos 14/08/2017
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