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Conheça a história da Ruínas da Ester

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Em Aquidauana e região, muitos já devem ter ouvido falar sobre o “Buraco da Ester”, mas você já se perguntou qual a verdadeira história do local, e se realmente existe esse buraco? 

Pois bem, nós do Jornal O Pantaneiro, conversamos com o professor de arqueologia da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, Gilson Martins, e ele nos contou um pouco da pesquisa feita por ele e sua equipe sobre o espaço. 

Segundo Gilson, em 1990 surgiu a informação sobre a ruína na área central de Aquidauana, na época, mais conhecida como “Buraco da Ester”, lugar onde uma professora da região chegou a morar, conforme relatos, nada comprovado. O mesmo teve esse nome por conta de histórias contadas na região. Uns dizem que o mesmo foi esconderijo da Guerra do Paraguay, além de vestígios da desaparecida cidade colonial Santiago de Xerez, que foi destruída pelo Raposo Tavares em 1632. Já aqueles menos familiarizados com a região contam que o local serviu como uma espécie de esconderijo para padres e freiras.

Eu, por exemplo, quando cheguei a cidade ouvi dizer que alí era uma passagem secreta para a casa dos padres. Lendas folclóricas contadas por moradores da região. 

Por conta dessas histórias o professor Gilson decidiu investigar a fundo sobre o que de fato tinha ali, e em conversa com um dos herdeiros da Professora Aquidauanenses Ester Sanches, já falecida, descobriu que o lugar estava à venda e desocupado. Foi então que ele resolveu procurar evidências histórica onde descobriu a existência de pedras e vestígios de teto que descia a um cômodo subterrâneo, onde haviam até escadas para acesso à sala.

A pesquisa na busca de mais informações, fez com que o arqueólogo descobrisse por alguns informantes, que dentro do cômodo haviam adagas, incensário e até uma grande chave de ferro, a veracidade não foi confirmada até a divulgação desta reportagem, mas foi então, que surgiu a possibilidade de uma Loja Maçônica ter funcionado no local, levando-o a consultar a GOB em Brasília (Grande Oriente do Brasil), onde foi constatado que em 1923 existiu uma loja filiada à ordem com o nome de Amor Fraternal, mas sem nenhum documento que comprovasse a residência da mesma e muito menos nome dos integrantes. 

O registro que se tem de loja maçônica da região é a da cidade de Nioaque que foi fundada em 1894 com o nome Loja Caridade e Ordem. Em conversa com um familiar da loja na cidade, Gilson confirmou a existência do “Buraco da Ester”, onde ela chegou a contar com detalhes o que havia dentro daquele local. Daí a veracidade da loja maçônica em Aquidauana, fundada em 1923. 

No início da década de 1970, antes mesmo do lugar ter sido soterrado a filha do ex-governador de Mato Grosso Arnaldo Figueiredo, chegou a registrar o mesmo como sítio arqueológico no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sendo protegido. Diante da importância cultural histórica da região a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, comprou o imóvel que passou a integrar a UFMS com o apoio técnico do IPHAN.

Agora outro estudo está sendo realizado para que o local seja restaurado com base na pesquisa feita pelo professor e sua equipe e trazê-lo à visitação, transformando o mesmo em um ponto de eventos culturais na cidade. 
 

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