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Ganância humana

Chacina de Colniza: Pastor evangélico foi o mais torturado

"Nada justifica o extermínio de vidas de forma tão avassaladora!"

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Apenas uma semana depois de mortos de formas cruentas, os trabalhadores rurais da Gleba Taquaruçu do Norte, em Colniza, Mato Grosso, ganharam rosto para as páginas de uma história que não será esquecida tão facilmente. São Izaul Brito dos Santos, de 50 anos, Ezequias Santos de Oliveira, de 26, Samuel Antônio da Cunha, de 23, Francisco Chaves da Silva, de 56, Aldo Aparecido Carlini, de 50, Edson Alves Antunes, 32, Valmir Rangel do Nascimento, 55, Fabio Rodrigues dos Santos, 37, e Sebastião Ferreira de Souza, de 57 anos.

É a partir deste último nome, que pode se avaliar os limites da maldade humana. Pastor da Igreja Assembleia de Deus, não se sabe se propositalmente ou por acaso, foi justamente o mais torturado, embora todos tivessem sido marcados pelas agressões que envolveram amarrações com cordas, cortes de enxadas e facões e, em sete dos nove, furos de balas calibre 12.  Sebastião deve ter apelado a Deus ou até inquirido com o “por que”, mas o silêncio da divindade talvez só com o tempo seja explicado.

Se nenhuma voz “evangélica” se manifestou, membros da Comissão Pastoral da Terra deram algumas respostas. No fundo a tragédia teve como motivações a ganância de um grupo de fazendeiros, inconformados com a reintegração de posse dada aos trabalhadores, alvos de um embate que se arrasta por anos. Era uma tragédia anunciada, pois há um histórico de assassinatos nos conflitos agrários da região. A morosidade de órgãos competentes, por conta da burocracia estatal também é um agravante.

“Nada, contudo, justifica o extermínio de vidas de forma tão avassaladora”, destaca um missionário católico, sem medo de ser a próxima vítima. Sim, porque o risco de novos ataques, depois que a poeira baixar – ou o sangue secar? – é eminente. Hoje, com a presença de uma força tarefa na região, composta por militares, policiais civis, bombeiros, peritos e pilotos, respira-se um pouco de paz. Mas, e quando eles se forem? A briga pela terra certamente não vai cessar tão cedo. Afinal, a ganância dos poderosos não se extingue, como diz o Livro Sagrado. E, se até um pastor, ligado ao sagrado, não foi poupado, na luta por um pedacinho  desta mesma terra, quem será? 

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