De todas as moedas emitidas no Brasil desde 1994, 27%, ou R$ 508,3 milhões, estão fora de circulação, perdidas em gavetas e armários ou esquecidas dentro de cofrinhos, informou nesta segunda-feira o Banco Central. O custo de substituição desse dinheiro (5,134 bilhões de moedas), caso fosse ser reposto, seria de R$ 1,1 bilhão, segundo a instituição.
Ao ano, essa "taxa de entesouramento", como o BC define o percentual de moedas fora da economia, é de 5% em média, número comparável ao dos Estados Unidos e do México. O percentual, é claro, varia de acordo com o valor: no caso da moeda de 1 centavo, é de 7,4% ao ano, no caso da de R$ 1, a mais valiosa, é de 3,3%.
"É importante que as pessoas façam circular essas moedas", disse Altamir Lopes, diretor de Administração do BC. "Guardar dinheiro em cofrinho é importantíssimo em termos de educação financeira das crianças, mas é importante que os pais levem os filhos para depositar esse dinheiro no banco para que o poder de compra da moeda seja preservado".
O problema de se manter moedas fora de circulação é que vai ficando mais difícil se obter troco. "Além disso, dinheiro custa dinheiro, segundo Lopes. Se fôssemos produzir em 2012 essas moedas que deixaram de circular desde 1994, gastaríamos R$ 1,1 bilhão, um valor significativo".
Desde 94, o Brasil produziu 18,735 bilhões de moedas, no valor de R$ 4,3 bilhões.
É a primeira vez que o Brasil faz uma pesquisa sobre moedas fora de circulação. "A partir de agora, faremos essa pesquisa uma vez a cada três anos", disse o diretor.
Uma das moedas do México, que leva prata em sua composição, é uma das mais "entesouradas" do mundo, aponta Lopes: 19% de todas que são produzidas saem de circulação por ano.
CÉDULAS DESGASTADAS
Cerca de 30% das cédulas de real de menor valor (de R$ 2 e R$ 5) deveriam ser tiradas de circulação por desgaste, informou hoje o Banco Central, que fez um apelo para que a população leve essas notas para serem trocadas nos bancos.
"Leve a nota desgastada à rede bancária para que os bancos possam promover o recolhimento ao Banco Central para serem substituídas", afirmou Lopes.
No caso das notas de maior valor, como as de R$ 10, de R$ 20, de R$ 50 e de R$ 100, o percentual de notas desgastadas é a metade, de 15%.
"Essas notas precisam ser substituídas por duas razões: uma é que estamos às vésperas de eventos importantes, como Copa do Mundo e Olimpíadas. O dinheiro é nosso cartão de visita, e oferecer uma boa imagem é sempre positivo", disse o economista do BC. "Mas o mais importante é a preservação da segurança desse dinheiro, das cédulas, até para identificar a legitimidade desse dinheiro".
O custo anual de substituição de cédulas desgastadas é de R$ 377 milhões, para um total de R$ 472 milhões emitidos no ano.
*SEGUNDA FAMÍLIA *
O diretor informou ainda que a segunda geração das notas de real para as cédulas de R$ 10 e de R$ 20 será lançada até o final deste ano. Até agora, foram lançadas apenas as de R$ 50 e R$ 100.
"Tivemos que prorrogar o lançamento por problemas operacionais, já que essas cédulas possuem elementos de segurança de alta qualidade e precisam ser testadas e checadas dentro de um padrão muito elevado", disse. "Certamente serão emitidas neste ano".