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Miranda

Bocaiúva vira matéria-prima de indústria que produz farinha e polpa em Miranda

Fruto comum no Cerrado até então era beneficiado apenas de modo artesanal e hoje gera renda para famílias no Portal do Pantanal

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Os frutos do Cerrado beneficiados para se transformarem em outro alimentos rendem como ouro para seis famílias  Miranda. A comparação serve para ilustrar projeto dos empreendedores Luiz Sérgio e Rita Maria Meinert que, depois de 12 anos de pesquisas e experimentos, estão no comando de uma indústria que produz farinha e polpa da Bocaiúva. Em meados de 2016, os dois conquistaram o aval do Sistema de Inspeção do Ministério da Agricultura para a comercialização dos produtos.

Rita Maria garante, em entrevista à equipe de reportagem de O Pantaneiro garante que SR Ouro Verde, além de ser um negócio para ela e o marido, o desenvolvimento do processamento industrial do fruto representa a chance de promover uma transformação social entre as famílias que moram na região entre Miranda e Bodoquena. O casal trabalha como administradores de uma propriedade dedicada à pecuária e os buscavam uma opção para diversificar a renda, e enxergaram na fruta a melhor opção. 

Uma das possibilidades era contar com o apoio governamental e se engajar em um projeto de desenvolvimento de biocombustível. Ela explica que a decisão foi do marido, que sempre acreditou na Bocaiúva como alimento, que já faz parte da rotina de muitas famílias, onde os membros passam a consumir ainda pequenos. 

“Quando eu era criança, ia para a casa do meu avo, com outros primos. No meio da tarde, sempre pedíamos a ele uma merenda. Algumas vezes, ele nos dava dinheiro e lá íamos nós para padaria comprar um pão doce. Outras vezes, nos dizia: hoje, tenho uma surpresa. Ele trazia um saco de Bocaiúva, nos sentávamos ao redor dele e fazíamos aquela festa”, conta ela, que passou a infância no interior da Bahia, de onde veio para morar em Mato Grosso do Sul. 

Rita Maria afirma que, ao longo dos anos de trabalho para o desenvolvimento de técnicas industriais que permitissem o aproveitamento total do fruto, ela e o marido perceberam que os moradores desenvolvem, ao longo da vida, o mesmo tipo de relação afetiva, mas ainda é preciso vencer as barreiras que  colocam a Bocaiúva como um tipo de alimento secundário, sendo, a maior parte do que cresce na região, destinado como alimento para o gado.

O objetivo do casal agora é firmar parcerias com pontos comerciais da região para que a farinha e a polpa sejam vendidas em todas as regiões do Estado. Rita Maria considera que a SR Ouro Verde criou a possibilidade de desenvolvimento de uma cadeia produtiva para os frutos do Cerrado, fazendo com que o beneficiamento deixasse de ser apenas artesanal e se tornasse industrial. Hoje, a produção conta com mais de 3 mil pés de Bocaiúva plantados e capacidade de processar até 20 toneladas por mês.

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