Após consultas com especialistas do ramo comercial e econômico, estes foram os principais motivos apontados para o crescente número de desempregados no Brasil
Schimene Duque Weber
Publicado em 20/11/2017 às 09:37
Atualizado em 10/09/2026 às 14:00
Após o resultado de enquete feita pelo jornal "O Pantaneiro" sobre qual seria a maior dificuldade, atualmente, em Aquidauana, ter sido, com 59% dos votos, o fato de "conseguir vaga no mercado de trabalho", a equipe de reportagem do site foi atrás de consultas com especialistas do ramo comercial e econômico para entender, a fundo, a principal razão do problema que, por fim, foi apontada majoritariamente como falta de capacitação profissional e a crise econômica que assola o País.
Falta de Capacitação
O gerente da Casa do Trabalhador de Aquidauana, Gerson Gonçalves de Souza, informou que as principais vagas procuradas são para empregada doméstica, trabalhador rural, campeiro, vendedor, recepcionista, atendente de lanchonete e morotista. Em média, diariamente, 30 pessoas vão ao local para buscar emprego.
Segundo ele, em 2017, várias pessoas conseguiram conquistar uma vaga. "Aproximadamente 780 pessoas foram contratadas, incluindo os indígenas, que são encaminhados para a colheira de maçã no Rio Grande do Sul", disse.
Questionado sobre a qualificação profissional, ele explicou que a grande maioria não possui, o que dificulta ainda mais a contratação para diversos cargos.
A tese foi confirmada pela Diretora-Executiva do Grupo Loesia, Claudiani Loesia, que confirmou à nossa equipe de reportagem que, mesmo com a crise, eles procuram manter a equipe, uma vez que os profissionais "mais antigos" já conhecem o ramo, o que dispensa custos com treinamento. "Falta total qualificação para as pessoas que se apresentam às nossas funções deficientes e, atualmente, com a crise, falta dinheiro para que possamos investir na vida das pessoas para prepará-las para tais funções", pontuou.
Cenário Econômico
O economista Sérgio Battaglin Brum Júnior, sócio-proprietário de empresas do ramo de saúde do Grupo Popular, explicou que o cenário econômico do País pode ser apontado como um dos grandes vilões do desemprego. "O desempenho da economia, de forma geral, é cíclico e possui momentos de baixa e de alta. Estamos lutando para sair de um movimento de baixa e entrar em um movimento de alta no ciclo, isso significa que já atingimos a pior fase em relação a emprego e que gradativamente deve ocorrer uma melhora nas oportunidades de emprego", explicou, com otimismo.
Ainda no que toca ao desemprego, o economista vê, nas dificuldades, novas oportunidades. "O povo brasileiro é dotado de uma criatividade e de resiliência muito grande, características que nos faz sermos especialmente proficientes em matéria de empreendedorismo. Em momentos de dificuldades isso com certeza se torna mais visível e surgem mais novos empreendedores, com empreendimentos dos mais simples aos mais complexos. É importante sempre lembrar que existem várias instituições que fomentam e apoiam àqueles que desejam empreender, transmitindo conhecimento, auxiliando no planejamento, viabilizando apoio financeiro (crédito)", disse.
Questionado sobre a dificuldade para sustentar esse tipo de projeto empreendedor, uma vez que desemprego gera dívidas e dívidas não pagas geram restrições no nome, ele foi enfático. "Nos momentos de baixa dos ciclos econômicos sempre existe uma tendência de restrição de crédito daqueles emprestadores que possuem restrições cadastrais, sendo de suma importância que o empreendedor busque primeiro equalizar suas dívidas e sanear suas restrições cadastrais antes de se aventurar em um novo empreendimento. Com o nome limpo, e com um bom planejamento, o empreendedor sim conseguirá sustentar o projeto que deseja iniciar", falou.
Ele também falou sobre as expectativas para a economia em 2018. "A economia já tem demonstrado indícios de recuperação. Nosso estado de Mato Grosso do Sul vêm atraindo investimentos e também mais habitantes, e estima-se que esse ano será o 3º estado com maior crescimento do país, mesmo que com uma estimativa tímida de 2,4%. Esse crescimento será puxado principalmente pelo chamado agronegócio, ao qual nosso estado possui grande aptidão, e também por indústrias como as recentementes instalados em cidades como Três Lagoas, Dourados e Sidrolândia, de setores como indústria de transformação (celulose), de química fina (matérias-primas para/e medicamentos) e de bens de consumo (alimentos, bebidas)", finalizou.
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