Operação deve gerar oportunidades, pois Estado passa a ser atração de novos empreendimentos
Daniele Valentin
Publicado em 04/12/2017 às 09:30
Atualizado em 10/09/2026 às 13:57
Considerado um marco histórico, o início de exportação de ureia da Bolívia para o Brasil deve gerar leque de oportunidades em Mato Grosso do Sul. No último dia 29 de novembro, em Porto Quijarro, cidade boliviana vizinha a Corumbá, foram embarcados os primeiros contêineres de ureia. A partir de agora, 335 mil toneladas por ano do produto boliviano vão entrar no País pela fronteira de Mato Grosso do Sul.
A operação é um fato relevante para o Estado, pois inclui um novo produto na pauta de importação sul-mato-grossense, abre possibilidades para a atração de novos empreendimentos.
De acordo com o secretário estadual, Jaime Verruck, de Meio Ambiente, Desenvolvimento Econômico, Produção e Agricultura Familiar (Semagro). A operação de compra de toda a ureia boliviana que vai entrar no Brasil por Mato Grosso do Sul será feita pela Keytrade, uma das maiores indústrias de fertilizantes do mundo.
“Foi negociada com a estatal boliviana YPFB a compra de 335 mil toneladas/ano de ureia, podendo chegar a 800 mil toneladas. Esse produto vai entrar no Brasil por Corumbá, em caminhões e passar pelo desembaraço aduaneiro na Agesa, que é o porto seco em operação na região. Do total importado, 60% deve ir para o Mato Grosso e o restante para o triângulo mineiro e o sul do país”, informou.
Já está autorizada pelas autoridades bolivianas a entrada de caminhões bitrem brasileiros até o terminal de Gravetal, em Porto Quijarro. “É um trecho com pouco menos de 10 km de estrada, mas que já abre uma nova possibilidade de operação com o frete de retorno. Já estamos em negociação com a Setlog para que essas operações sejam feitas por transportadoras aqui do Estado”.
Além das oportunidades de negócios envolvendo o transporte rodoviário, o Governo do Estado, por meio da Semagro, também fomenta outras possibilidades. “Estamos negociando com empresas que possam construir e operar um Centro de Distribuição de ureia em Campo Grande. A ideia é encontrar um player que faça a importação do produto pela malha ferroviária, vindo da Bolívia até a Capital. Aliás, esse é um dos argumentos para assegurar a viabilização da Ferrovia Transoceânica, que vai interligar o Porto de Santos com Ilo, no Peru”, informa Verruck.
Ainda de acordo com o secretário, “a ureia da Bolívia passa a competir principalmente com a ureia vinda do Qatar e Rússia. É um produto no qual somos deficitários. Dependemos hoje da importação e a oferta boliviana concorre diretamente com esses países. No caso da UFNIII, em Três Lagoas, quando a indústria entrar em funcionamento, o que deverá haver é uma concorrência maior entre os países que fornecem ureia para o Brasil”.
Ureia da Bolivia
De acordo com o Ministério de Hidrocarburos da Bolívia, a planta de uréia instalada em Bulo Bulo, exigiu um investimento de US $ 950 milhões e possui uma capacidade de produção de 2.100 toneladas por dia (700 mil toneladas por ano). Espera-se que entre 85% e 90% da produção total sejam exportados para os mercados da região. A produção será escoada pelo terminal de Gravetal, em Porto Quijarro, que começou a operar na quarta-feira (29).
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