Comércio exterior
Medida entra em vigor no próximo dia 22; governo brasileiro anunciou que recorrerá à OMC e poderá aplicar a Lei de Reciprocidade
Publicado em 16/07/2026 às 12:30
Produtos estratégicos da pauta de exportações brasileiras, como aeronaves, petróleo, café e carne bovina, ficaram de fora da nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre parte das mercadorias brasileiras. Juntos, esses itens responderam por cerca de um terço das exportações do Brasil para o mercado norte-americano no primeiro semestre deste ano. As informações são da Agência Brasil.
A sobretaxa foi anunciada nesta quarta-feira (16) pelo USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) e deverá entrar em vigor no próximo dia 22, após a conclusão de uma investigação conduzida pelo órgão norte-americano.
Além dos produtos já citados, também foram excluídos da nova cobrança itens como celulose, minério de ferro, ferro-gusa, laranja e suco de laranja.
Por outro lado, diversos segmentos continuarão sujeitos à tarifa adicional. Entre eles estão ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, máquinas agrícolas, equipamentos elétricos que não atendem ao setor aeronáutico e outros produtos manufaturados.
Segundo informações da Agência Brasil, os Estados Unidos justificaram as exceções alegando que determinados produtos brasileiros não possuem oferta suficiente no mercado interno norte-americano ou não podem ser substituídos por alternativas de preço competitivo, evitando, assim, problemas de abastecimento e impactos econômicos.
Governo brasileiro contesta medida
Ao anunciar as tarifas, o USTR afirmou que determinadas práticas adotadas pelo Brasil prejudicariam agricultores, trabalhadores, exportadores e empresas dos Estados Unidos.
O governo brasileiro, no entanto, rejeitou a justificativa e informou que não reconhece a legitimidade da investigação conduzida pelo órgão norte-americano. Também anunciou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade e voltará a discutir o caso no âmbito da OMC (Organização Mundial do Comércio).
Setor cafeeiro comemora exclusão
A decisão de manter o café brasileiro fora da lista de produtos tarifados foi recebida com satisfação pelas principais entidades do setor, entre elas a Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), a Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel) e o Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil).
Em nota conjunta, as entidades atribuíram o resultado ao trabalho realizado em conjunto com a NCA (National Coffee Association), dos Estados Unidos, e destacaram que a lista de exceções foi ampliada para incluir também o café solúvel não aromatizado.
As entidades avaliam que a medida preserva exportações estimadas entre US$ 2 bilhões e US$ 2,5 bilhões por ano para os Estados Unidos, principal mercado consumidor e importador mundial da bebida.
Apesar do alívio, o setor permanece atento ao andamento de outra investigação conduzida pelo USTR, que poderá resultar na aplicação de uma nova tarifa, estimada em 12,5%, sobre o café brasileiro. Segundo as entidades, o trabalho de defesa dos interesses da cadeia produtiva continuará nos próximos meses.
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