Responsáveis pela limpeza das instituições, funcionários reivindicam melhoria salarial. Aulas deverão ser suspensas amanhã
Vanessa Ricarte
Publicado em 11/04/2018 às 09:28
Atualizado em 10/09/2026 às 13:58
Com apenas um dia de paralisação das atividades dos administrativos estaduais da educação, o jornal O Pantaneiro recebeu hoje (11) imagens feitas por estudantes da situação caótica nas dependências das escolas de Aquidauana e região.
Ontem (10), início da greve, em apoio aos administrativos da Escola Estadual Dóris Mendes Trindade, alunos de 7 salas do Ensino Médio foram às ruas em apoio à categoria. A greve permanece em razão do descontentamento quanto à proposta salarial feita pelo governo do Estado.
Segundo uma estudante de 12 anos do 6º ano, desde ontem a escola estava suja. “O chão já está cheio de folhas, com monte de papelão rasgado, os banheiros fedidos, sem condições de estudar. Não sou a favor dessa paralisação. A escola tem que dar um jeito de limpar para continuar as aulas. Sou contra repor depois”, disse.
Para Cristiane Gama de Arruda, 38 anos, mãe de uma estudante de 14 anos da Dóris Mendes Trindade, a greve é legitima. “Sou totalmente a favor, é um direito deles". Mas quando questionada sobre a possível suspensão das aulas, Cristiane não concorda. “Aí fica complicado. Deveriam arrumar outro jeito de limpar a escola.”
José Ramão Marinho, diretor da escola Professora Dóris Mendes Trindade, informou que as aulas serão suspensas em virtude da falta de condições de trabalho: "salas sujas, falta de merenda, banheiros sujos. O funcionário faz muita falta na escola.”
José Ramão acrescenta que conversou com os alunos a respeito. “Eu digo a eles que a escola é composta de três pilares, os professores, os alunos e os funcionários. Quando falta um deles, não há como prosseguir o trabalho. Por isso, vamos suspender as aulas a partir de amanhã”, anunciou.
Sobre a necessidade de reposição de aulas, o diretor esclarece que será inevitável. “No final da greve as aulas serão repostas, em cumprimento à carga horária do aluno que deve ser cumprida. Só paramos porque não temos como trabalhar assim”, finalizou.
Posição da categoria
Em nota, a Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul (FETEMS) informou hoje que 70% dos administrativos das escolas do estado paralisaram suas atividades no primeiro dia da greve.
“Queremos que o governo retome as negociações sobre a Incorporação em 2018 do Abono Salarial à carreira Profissional de Educação Básica e Apoio à Educação Básica, conforme a Lei 4.868/2016. A FETEMS é a representante legítima dos/as Trabalhadores Administrativos em Educação em Mato Grosso do Sul e não vamos aceitar que o SINFAE faça acordos e/ou assine documentos em nome da categoria que a nossa Federação e os SIMTED's representam em todo o Estado", reivindicou o presidente da FETEMS, Jaime Teixeira.
Ainda conforme a nota, os trabalhadores administrativos em educação, responsáveis pela manutenção, limpeza, merenda e secretarias das escolas públicas estaduais, continuarão com uma carreira remuneratória com um salário base menor que o valor do salário mínimo vigente no país.
A FETEMS informou ontem que a greve é por tempo determinado, de 10 a 30 de abril em virtude do “não atendimento do pleito da categoria por parte do Senhor Governador Reinaldo Azambuja e que tentou hoje manipular a imprensa sul-mato-grossense de que não teria greve.”
*Com informações de Luiz Guido Jr.
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