Religiosidade e política
O ministro estaria ligado ao escândalo envolvendo dois pastores que pediam propina para facilitar envio de verbas do MEC à prefeituras
O presidente Jair Bolsonaro aceitou o pedido de exoneração de Milton Ribeiro do cargo de ministro da Educação, nesta segunda-feira (28). A decisão foi publicada no Diário Oficial da União.
Ribeiro deixou o cargo para se dedicar a sua defesa em relação às suspeitas de tráfico de influência e supostamente facilitar a liberação de recursos do MEC a pastores e igrejas.
A saída de Ribeiro do MEC era dada como certa desde que o agora ex-ministro colocou o cargo à disposição de Bolsonaro, na manhã de hoje. O presidente chegou a dizer, na semana passada, que "bota a cara no fogo" pelo ministro. Interlocutores afirmam, no entanto, que o risco para a campanha de Bolsonaro para a reeleição teria ficado "muito alto" e o presidente recalculou o apoio.
As acusações contra Ribeiro estão relacionadas à atuação de dois pastores, Gilmar Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil, e seu assessor, Arilton Moura. Os dois religiosos teriam atuado informalmente no gabinete do ministro para facilitar a distribuição de recursos em troca de propina.
Ribeiro sempre negou todas as acusações contra ele. Em nota de esclarecimento, em 22 de março, não comentou o conteúdo de áudio em que teria dito sobre a necessidade de "atender primeiro os amigos do pastor Gilmar", mas insistiu que "a alocação de recursos federais ocorre seguindo a legislação orçamentária".
Ele garantiu ainda que Bolsonaro não teria pedido atendimento preferencial a seus amigos pastores. Depois, em entrevistas para a CNN e Jovem Pan, Ribeiro disse ter recebido informações de condutas reprováveis desse pastores e pedido investigações da Controladoria-Geral da União (CGU).
Caso - Apoiador declarado do presidente Jair Bolsonaro (PL), Ribeiro deixa o cargo após denúncia do jornal O Estado de S. Paulo, que revelou envolvimento de pastores ligados a Ribeiro em um “gabinete paralelo” que cobrava propina a políticos com o intuito de liberar verbas do MEC.
Em áudio vazado, ele afirmou que o Governo Federal beneficiava prefeituras ligadas a dois pastores que não possuem cargos públicos, mas que atuavam em um esquema de concessão de recursos do Ministério da Educação.
*Texto com informações dos jornais Gazeta do Povo e Campo Grande News.
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