Maio Laranja
Cerca de 84% delas são praticadas por familiares
O mês de maio é dedicado ao combate à violência sexual contra crianças e adolescentes. É a campanha nacional “Maio Laranja”. Com slogan “Faça Bonito. Proteja nossas Crianças e Adolescentes”, que tem o dia 18 de maio como dia Nacional de Enfrentamento ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Muito se discute sobre a violência contra menores, na condição física, onde ela sofre maus tratos e violência sexual. A violência via internet precisa ser observada e tudo isso não é mais um problema apenas de família. Defender crianças e adolescentes de qualquer tipo de agressão é de responsabilidade de toda a sociedade.
Essa violência afeta a vida de milhares de crianças, com consequências emocionais, sociais severas, construindo adultos carregados de traumas e sequelas emocionais. Os dados estatísticos sobre esse assunto são alarmantes e o ambiente onde ela ocorre é igualmente assustador, como revelou o estudo “Prevenção da Violência contra Criança”, lançado pelo NCPI (Comitê Científico do Núcleo Ciência Pela Infância). Apenas no primeiro semestre de 2022, foram registradas 122.823 violações contra crianças de até 6 anos - cerca de 84% delas cometidas por familiares (mãe, pai, madrasta/padrasto ou avós).
Segundo dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, analisados em estudo produzido pelo comitê científico do NCPI (Núcleo de Ciência pela Infância), o Brasil registra 673 casos de violência contra crianças de até 6 anos por dia ou 28 a cada hora e 84% das agressões têm pais, padrastos, madrastas, ou avós como suspeitos.
Sobre esse assunto O Pantaneiro conversou com Marcos Ribeiro, que é Sexólogo e escritor, pós-graduado em ‘Educação Infantil’ e em ‘Sexualidade’. Com mais de 25 livros publicados e 12 prêmios, foi o único autor brasileiro na área da sexualidade a receber o prêmio Monteiro Lobato da Academia Brasileira de Letras. Ele falou sobre como uma família pode perceber se um menor está sendo vítima de abuso sexual.
“Primeiro é importante entender que é abuso sexual: é uma situação em que a criança ou o adolescente é usado por um adulto, ou adolescente mais velho, para satisfazê-lo sexualmente. É a utilização da sexualidade de uma criança ou adolescente para a prática de qualquer ato de natureza sexual. A situação em si é bem desgastante e, por isso, impera o silêncio em torno do assunto. Mesmo com a mudança de comportamento da criança, muitas vezes visível, é difícil para as famílias admitirem porque é uma situação muito doída e, na maioria dos casos, segundo os dados de pesquisas, os abusadores estão muito próximos das crianças, às vezes dentro de casa e usufruem da sua confiança,” explica o sexólogo, destacando.
“É importante ficar atento às mudanças de comportamento, mas também ter cuidado com os próprios limites. Um sintoma ou outro, ou dois, não significa necessariamente que a criança está sendo abusada. É o contexto da situação, o conjunto da situação e a fala da criança. Nesse sentido, é importante ouvir a criança, dar credibilidade a sua fala e investigar. Não achar, como procede muitas famílias, que é “invenção” ou fantasia” do filho, filha, aluno ou aluna,” completa.
A escola tem papel fundamental em observar e tomar providências
“Um outro sintoma se refere ao rendimento escolar e, nesse sentido, é possível a escola perceber que alguma coisa está acontecendo. O mais visível é verificar se a criança no caso, o aluno, está se isolando ou não querendo participar das atividades propostas. Neste caso, se o professor identificar alguma mudança no comportamento do aluno ou no seu rendimento, chamar a família para conversar. Sabe o que tem acontecido muito no nosso país? É em programas de educação sexual realizados pelas escolas, ao final da atividade, a criança ir até o professor e contar o que está acontecendo com ela, daí a grande importância dessa conversa na escola, de forma planejada, de acordo com a idade e ano escolar e em parceria com as famílias,” alerta Marcos Ribeiro.
Pesquisas apontam dados preocupantes sobre a questão
Segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, crianças de até 13 anos, representam a maior parte das vítimas de estupro no Brasil num percentual de (61,3% do total de casos). Já as crianças vítimas de morte violentam e intencional, são meninos (59% do total) e crianças negras tanto meninas e meninos (66%), revela o Anuário.
Denuncie
O Disque 100 é um canal de comunicação da sociedade com o poder público, o Disque Denúncia Nacional, que tem como objetivo receber denúncias sobre violações de direitos humanos no geral, funcionando também como canal de denúncias contra populações mais vulneráveis, como é o caso de violências contra crianças e adolescentes.
O Núcleo Ciência Pela Infância, citado nesta matéria é composto pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); Fundação Maria Cecília Souto Vidigal; INSPER (Instituição de Ensino Superior e Pesquisa); HCDC (Center on the Developing Child), da Universidade de Havard, nos Estados Unidos e o DRCLAS (David Rockefeller Center for Latim American Studies), da Universidade de Harvard, também nos EUA. @educadormarcosribeiro
AFOGAMENTO
Vítima estava a cinco metros de profundidade; buscas haviam começado no fim da tarde desta sexta-feira
SOLIDARIEDADE
Campeonato será realizado nos dias 02, 03 e 04 de dezembro; arrecadação também atenderá outras atividades de fim de ano da escola
Voltar ao topo