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Atleta muçulmana é desclassificada por cobrir o corpo nos EUA

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Uma atleta muçulmana do instituto Theodore Roosevelt, no Distrito de Columbia, foi desclassificada de uma competição por usar a roupa esportiva conforme sua fé, mas que violava as regras da disputa, informou a imprensa local.
Juashaunna Kelly, campeã do distrito nos 1.500 e 3 mil metros, usava o mesmo uniforme com o qual sempre competiu desde que faz parte da equipe de atletismo do centro, há três temporadas: um traje de fibra sintética com capuz que cobre sua cabeça, seu tronco, suas pernas e seus braços. A roupa, fabricada conforme seus desejos, tem as cores laranja e azul.


Por cima deste traje ela colocava a camiseta e a calça de cor azul usados por todos os seus colegas de equipe nas competições, de acordo com o jornal "Washington Post".


A roupa permitia que competisse sem ferir os desígnios da fé muçulmana, que impede que as mulheres mostrem sua pele, com exceção do rosto e das mãos. "Não é algo especial, não me faz correr melhor", afirmou Kelly após ter sido desclassificada.


Mas o diretor da competição, Tom Rogers, afirma que a vestimenta de Kelly violou as normas da Federação Nacional de Associações Estaduais de Institutos, que desclassificou a competidora.


Segundo Rogers, os uniformes devem ser confeccionados com uma única cor e não podem ter qualquer tipo de adorno, salvo o nome do centro ou sua insígnia, que devem se adequar a uma determinada medida.


Kate Harrison, porta-voz do departamento escolar do Condado de Montgomery, disse que a decisão de desqualificar Kelly da corrida não foi tomada por Rogers, e sim pelos árbitros, que são independentes. Eles teriam dito ao colégio de Montgomery que sua decisão estava baseada somente no traje "multicoloridos" de Kelly, e não em motivos discriminatórios.


Rogers disse que sabia que Kelly usava a roupa por motivos religiosos e que, por essa razão, lhe ofereceu várias possibilidades para cumprir as normas, inclusive que o colocasse por cima de uma camisa branca e que, depois, vestisse o uniforme da equipe.


Sarah, mãe de Kelly, e o treinador da equipe de atletismo do Colégio de Roosevelt, Tony Bowden, negam esta versão e afirmam que as autoridades exigiram à jovem atleta várias vezes que mudasse.


"Primeiro, disseram que tinha que tirar o capuz, depois que não poderia ter logotipos, e depois que a roupa deveria ser colocada do avesso", lembra a mãe de Kelly.


"Quando disse que o traje de Juashaunna não tinha adornos, disseram que era preciso colocar uma camisa branca por cima", afirma a mãe. A jovem usou a vestimenta nos últimos três anos sem que tenham surgido problemas deste tipo.


"Não foi um problema no ano passado, e, no entanto, é este ano?", questionou o treinador. "Alguém me explique", acrescentou.

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