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Kelly Slater conquista o nono título mundial

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Mundaka, talvez a mais mítica e temperamental das ondas. Perfeita, tubular, quebra cerca de 30 vezes por temporada. Menos de 9% dos 365 dias de cada ano. Nesta sexta-feira, a cidade amanheceu chorando: chuva de granizo. E ali acordava Mundaka para a prova dos nove. Nona etapa, nona colocação, nona taça para Kelly Slater. Ele entrou na água, e sol, de surpresa, apareceu. Na praia do octa, em 2006, agora o eneacampeonato. Palavrinha que soa estranho por ser tão pouco usada. No surfe, reservada apenas para o maior de todos.


Pode não ter sido onde ou quando ele queria. Na França, seu patrocinador seria o anfitrião da festa. Se ganhasse por lá, teria quebrado mais um recorde. Somente ele, em Mundaka, ergueu o caneco tão cedo. O Circuito Mundial segue ainda para Brasil e Havaí. Mas quem tem oito marcas históricas não se importa. Confira a supergaleria da campanha de Slater em 2008!


- Estou aliviado por ter conquistado o título mundial - disse.


A tarefa não era das mais difíceis: bastava vencer. A nona colocação na etapa o garantiria o título. Provavelmente, o mais duro seria conseguir sair da água. Se perdesse, bastava torcer contra o australiano Taj Burrow. De camisa amarela com manga preta estava Eneko Acero. Quarenta minutos, muitas ondas, duas notas: 7,83 e 7,13.


O basco carregava toda pressão do mundo nos ombros. Tentou jogá-la fora já na primeira onda: nota 7,00. Deu uma rasgada, entrou num tubo, e outra rasgada. Aos 15 minutos, Slater foi numa esquerda que fechou. Nervoso, o americano caiu na segunda onda também: 3,50. Depois, um tubo veloz, um floater, 7,83 e liderança. Slater vencia, e o sol, já satisfeito, foi embora.


Eneko precisava de um 4,50 para impedir o título. O americano buscava o tubo perfeito para sua consagração. Não foi perfeito, mas suficiente para aumentar a vantagem. O local tentou imitá-lo, mas acabou quebrando a prancha. Kelly pediu aos salva-vidas ajuda para o seu adversário. Pegou mais duas ondas, a última delas um 7,13. A 30 segundos do fim, já saía da água. Do jet ski, escutou a nota do rival: 2,50. Levantou os braços, comemorou, como tantas vezes na carreira. Ao basco, o consolo de fazer parte da história.


- Oi, mãe, irmão, todos aí, Kalani, eu te amo - disse ele, fazendo uma declaração de amor à namorada.


O nono título praticamente o obriga a continuar surfando. Ele se deu conta disso após Bells Beach (Austrália). Era a sua segunda vitória consecutiva na temporada 2008. Antes, na Gold Coast, humilhara Mick Fanning, campeão mundial. Deve, ali, em Bells, ter pesado prós e contras. Deixou o aconchego do lar, mas levou a namorada.


- Teria sido uma ótima hora de parar - confessa ele.

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