"Urso polar"
Figurinha carimbada de Piraputanga, o artesão garante não passar frio
"Tira casaco, coloca casaco".
A expressão que ficou famosa na refilmagem de "Karatê Kid" (2010) poderia até "vestir" seu Zé como uma luva, caso ele não fosse o artesão e marceneiro descamisado – literalmente – como bem o conhecemos. A frente fria que chegou com tudo nesta semana (provando que o inverno realmente tá por aí) não o incomoda. Muito menos as temperaturas do calorão de outrora, que abafa, faz a gente suar e dá vontade de ficar sem camisa mesmo. Disso ele bem entende.
Registro feito na tarde de ontem pela cunhada de Zé Descamisado, dona Wilma; mesmo no frio, sua assinatura persiste.Não é à toa que podemos considerar José Genaro Ferreira Costa, o piraputanguense de 63 anos apelidado há quase 40 de seu Zé Descamisado, como o cara mais "blindado" da região. Simplesmente, é o nosso querido "tatu-peba" que aguenta sem camisa temperaturas abaixo do 6ºC.
Para ele, nem tira nem põe o casaco.
"A turma fica morrendo de medo do frio. Eu não ligo, não. Aí depois o povo fica reclamando que pegou resfriado de casaco e tudo… então o melhor mesmo é ficar logo sem!", brinca.
Nascido no mato do distrito de Piraputanga, seu Zé do dia pra noite resolveu tirar a camisa para – segundo suas palavras – "fugir do calor". Pelo menos na época. Adotando o estilo, resolveu apoiar a peça no ombro e nunca mais a colocou de volta no lugar. Virou sua marca registrada.
"A não ser quando, dependendo de onde eu ia, pediam para eu vesti-la. Mas todo mundo já me conhece, sabe quem eu sou. Então, assim como não ligo se o tempo está quente ou gelado, eles também não se incomodam mais com esse meu estilo. Na época que pulava de bar em bar, já ficava sem camisa mesmo. É minha assinatura", opina.
E nem o frio de agora faz ele deixar de seguir a tradição que iniciou há pelo menos 35 anos. "Se até casamento, festa de família e celebrações na cidade eu fico sem camisa mesmo, por que é que agora eu resolveria botá-la de novo?", questiona.
Na casa da cunhada, curtindo o merecido descanso depois do trabalho de carpintaria, Zé Descamisado posa para a foto.Acessório – Além de calça jeans e botina, existem dois acessórios indispensáveis na sua rotina atual: seu chapéu de lona "amigo" e, claro, a máscara. Vacinado, Zé Descamisado já tomou as duas doses da vacina contra o novo coronavírus.
"Graças à deus. Posso sair sem camisa, mas a máscara vai junto. Essa pandemia tá díficil, né gente? Temos que torcer para acabar logo. Perdi muitos companheiros… dois que tocavam comigo já se foram. Um deles, o José Eloy (violonista popular) pegou esse vírus e morreu aos 73 anos. Ele me conhecia desde quando eu nasci! Por 50 anos, andamos juntos e fizemos nossa farra musical".
Figura de Piraputanga e região, seu Zé nunca teve vergonha de ficar descamisado curtindo as aglomerações de outrora.Com a pandemia – e mesmo vacinado –, Zé Descamisado revela que dificilmente sai para festar. "Antes, porém, reunia o pessoal nas rodas de pagode e sertanejo. Era maior diversão", recorda.
Zé, que além de marceneiro também é luthier, isto é, é construtor de instrumentos musicais, revela que aprendeu sozinho sua segunda profissão. Fabrincando de cavaco a violão, timba a pandeiro, ele garante: "os caras pediam para eu cantar, mas eu só toco mesmo", diz com saudades das aglomerações de antes.
"Raro" registro de Zé Descamisado com camisa; aqui, em seu ateliê, onde também fabrica instrumentos musicais.
Aos 63 indo para os 64 anos, Zé Descamisado é casado com dona Ilza "desde sempre" e pai de 3 filhos. Morou em São Paulo, depois Campo Grande, mas, quando sua criançada virou adulta, voltou para sua terra natal, Piraputanga. Daqui, tem planos de nunca mais sair. Mas voltando à sua marca registrada:
"Eu sou acostumado assim mesmo. Trabalhei desde pequeno na roça, na carpintaria, sempre sem camisa. Pra mim, tanto faz essa história de frio ou calor. Tô blindado", assegura.
Para finalizar, um recado sincero: "o povo reclama muito. De frio e de calor, de vírus e vacina. O importante é estar com saúde, é estar vivo, minha gente. Isso sim é pra lá de bom".
"Nunca tive e nunca terei o que reclamar.
A vida pra mim é boa demais da conta".
CAPACITAÇÃO
Capacitação teórica e prática prepara equipes da Secretaria de Obras para atuar com mais segurança em serviços de manutenção da iluminação pública.
ACIDENTE
Trabalhador sofreu contusão no joelho e precisou ser encaminhado ao Pronto-Socorro após a colisão na noite de sexta-feira (2).
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