Mesmo após pedido do presidente, organizadores esperam mais de 250 manifestantes da Capital e interior
João Marcelo Correia Sanches
Publicado em 10/09/2021 às 12:56
Atualizado em 10/09/2026 às 14:13
Um grupo de seis caminhoneiros estacionou há pouco no Anel Viário, saída para Sidrolândia, em Campo Grande. Para chamar atenção, atearam fogo em um pneu e em galhos, espalhando uma fumaça preta ao longo do acostamento.
Um dos organizadores do protesto é Djenco Brito, de 32 anos, caminhoneiro desde 2014. "Estamos aqui para demonstrar força e darmos apoio ao nosso presidente. É uma paralisação pacífica, sem fechar a estrada, a princípio. Estamos aqui pelo nosso país", justificou.
Sobre o pedido do presidente Jair Bolsonaro para o fim das manifestações de caminhoneiros, Djenco acha que é uma "estratégia". "Ele é presidente, não pode convocar manifestação", argumenta.
Já Lucas Paim, de 27 anos, é mais enfático e ataca o presidente. "Bolsonaro não tá mandando nem no Brasil. Quem dirá na gente", diz o caminhoneiro, com nove anos de experiência.

O som alto da música sertaneja e uma bandeira no Brasil no meio da rodovia também fazem quem passa prestar atenção no pequeno protesto às margens da BR-163.
Mas os planos são de ampliar a manifestação ao longo do dia. "Mobilizamos cerca de 250 pessoas pelo WhatsApp. Está vindo caminhoneiro de Campo Grande e do interior. Queremos mostrar para Mato Grosso do Sul que temos poder. Nós colocamos os políticos lá", comenta Djenco.
Clóvis Reis de Araújo, de 56 anos, vive na estrada há 35 anos e já parou outras vezes para pedir apoio às causas dos caminhoneiros. Hoje, no entanto, parece decepcionado com a adesão. "Para desfilar na cidade, todo mundo vai, mas para vir aqui, poucos aparecem. Muita gente não adere, e se não der força agora, não vai dar mais. Mas estamos firmes", garantiu.
Segundo ele, a ideia não é só apoiar Bolsonaro, mas protestar, principalmente, contra a carga tributária. "Não é por partido, a briga é pelos impostos. Não aguento mais os impostos malditos. O preço do óleo diesel não tem mais condições. O agronegócio que mantém o país", reclamou.
Uma equipe da Polícia Rodoviária Federal (PRF) chegou ao local por volta das 11h30 e já pediu para os manifestantes não fecharem a rodovia.
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