Natureza
Grande volume de chuvas coloca autoridades em alerta, mas fenômeno também pode ser positivo
Crédito do vídeo: Hélio Tinoco
Apesar do lado triste das tempestades, a natureza e o bioma da região do Pantanal, no Mato Grosso do Sul, começam a dar sinais de vida e ressurgimento, com o nível dos rios subindo e o ciclo das águas retornando lentamente, como vem acontecendo na cidade de Corumbá, distante 254 quilômetros de Aquidauana, expressam os dois lados da moeda.
De um lado existe a ameaça de prejuízo e preocupação com 21 cidades do sul e sudeste do Estado, que estão em situação de emergência. Na cidade de Miranda, por exemplo, o nível do rio vem subindo e sete famílias ficaram ilhadas. Em Porto Murtinho, estradas estão sem condições de tráfego devido às cheias, e a defesa civil do estado trabalha em ações para atender a população.
O fotógrafo Vitor Ramalho, morador da região e especialista em fotos do Pantanal e Bonito, reconhece que as chuvas também podem trazer prejuízos. “O que me deixa pensativo é a qualidade das nossas estradas. Com as chuvas, elas ficam mais esburacadas, dificultando o acesso aos atrativos, e também muitos ribeirinhos ficam desabrigados”.
De olho no clima e nas tempestades que afetam o Estado, o Imasul (Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul) acompanha diariamente dados das chuvas e os níveis dos rios, que são coletados em tempo real, com atualização de plataformas de coletas de dados – PCDs e transmissão via satélite, informando a cada hora o nível do rio em centímetros e o quanto choveu em milímetros.
Atualmente, para o rio Miranda, o Imasul vem trabalhando em análises de níveis, com legenda vermelha (emergência) e amarela (acima da cota com permanência de 5%), o que pede certa atenção. Já para o Aquidauana, o monitoramento mostra um nível normal apesar das fortes chuvas, que podem afetar seu nível, mas não vêm demonstrando risco de anormalidade.
De acordo com a assessoria de imprensa do Imasul, as chuvas em 2023 têm sido bem mais intensas e com maior volume do que o que ocorreu nos últimos anos. O órgão observou que, dos pontos monitorados próximos a esses municípios, o volume de chuva já ultrapassou a média histórica do mês de março até o dia 15 deste mês.
Na cidade de Miranda, por exemplo, já choveu mais do que o dobro do esperado no mês, e ainda estamos na metade dele. É por esse motivo que o Imasul monitora com mais atenção os níveis dos rios Miranda e Aquidauana, pois apresentam respostas mais rápidas e atingem situações de alerta e emergência com mais celeridade do que o rio Paraguai.
Infelizmente, conforme o Imasul, por conta das chuvas e da dinâmica de áreas alagadas que ocorrem no Pantanal, é difícil prever quando o rio pode chegar às cotas de alerta e emergência. O boletim diário do órgão sempre indica quando os pontos monitorados apresentam estes níveis.
A boa notícia é que, no rio Paraguai, por se comportar com uma subida de nível mais lenta e gradual, no momento não apresenta nenhuma situação de emergência nos pontos monitorados pelo Imasul. Além disso, previsões da CPRM indicam que o rio Paraguai não deve chegar nos níveis de emergência pelos próximos dois meses.
Cheias também são motivo de comemoração
Se de um outro lado dessa moeda tem quem comemore e não apenas o setor da pesca. O turismo da região, que tem força na pesca esportiva e contemplação das paisagens pantaneiras através das águas dos rios, o risco de transbordamento começa a ser muito esperado, porque reflete em toda cadeia turística permitindo que o Pantanal se apresenta no seu pleno estado, como fala o fotógrafo. “Eu, como amante da natureza e que testemunhou as queimadas em 2020, fico tão feliz que a felicidade não cabe dentro de mim. Não vejo prejuízo, só lucro à mãe natureza”.
Por causa da estiagem e dos anos de seca, o rio Miranda, na região do Pantanal, estava sendo considerado seco, devido ao baixo nível da água. Em meio a todas as notícias, a natureza é a maior favorecida por isso tudo.
Com essa fase ela volta a receber sua flora, fauna e vai se completando lentamente e voltando ao seu estado total de normalidade.
O pescador veterano André Seeman, que há 30 anos pratica a pesca esportiva, pesque e solte, reconhece a beleza como um profundo conhecedor da região. “A gente notou que o Rio está pegando muita água e isso é muito bom para o pantanal. Que aquelas lagoas onde têm berçário de peixes entram em contato com o rio, interligam no rio e isso ajuda muita a quantidade de peixe no rio”.
Já para o Apep (Presidente da Associação dos Pescadores Esportivos do Pantanal) Alexandre Pierin, as chuvas às vezes prejudicam o esporte. “Quando o rio está subindo e descendo muito de forma muito violenta como é a questão dos municípios de Aquidauana, Miranda, no 21, isso aí atrapalha. Quando o rio está subindo e descendo é uma péssima época para pescar”.
DESPEDIDA
Fundador do Espaço Cultural Raíz em Piraputanga, ele morreu aos 63 anos.
DESPEDIDA
O velório acontece na Pax Vida e o sepultamento está marcado para às 10:00 desta terça-feira (15)
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