Crime ambiental
Biólogo pesquisou por três anos uma tragédia considerada anunciada
Um estudo realizado pelos pesquisadores do ICAS (Instituto de Conservação de Animais Silvestres), publicado na revista científica Austral Ecology, da Wiley (Austrália), analisou os dados de um levantamento realizado entre os anos de 2017 e 2020 em Mato Grosso do Sul.
O primeiro passo do estudo foi compreender a distribuição das colisões veiculares com as três espécies que representam maior risco à segurança humana e que são amplamente impactadas e atingidas no Mato Grosso do Sul. Posteriormente, foi realizada a identificação das características do ambiente, como, por exemplo, a distribuição de áreas de vegetação nativa, se tem a presença de rios, córregos, relevo mais acidentado, altitude, entre outras informações. Os dados foram analisados em grandes escalas no entorno de estradas, resultando na modelagem da probabilidade de ocorrência destes animais e o risco de colisões com cada uma delas ao longo das rodovias.
O levantamento analisado pela revista foi feito pelo projeto Bandeiras e Rodovias, e monitorou 15% das estradas do Mato Grosso do Sul por três anos, onde foram registradas 425 antas, 766 tamanduás-bandeiras e 968 capivaras mortas neste período.
Pesquisadores do ICAS alertam sobre a importância da elaboração de medidas para a redução desta tragédia anunciada e um novo estudo aponta os pontos mais críticos para o risco de colisões veiculares com fauna silvestre.
O mestre em recursos florestais e autor do artigo, Yuri Ribeiro, explica que a pesquisa realizou a indicação/previsão dos pontos mais críticos nas estradas e rodovias em todo o território de Mato Grosso do Sul, através de modelos espaciais.
“Nós pegamos estes dados e fizemos a predição de risco para o sistema de estradas pavimentadas e não pavimentadas do Estado. Isso possibilitou o mapeamento dos pontos mais críticos e onde as medidas de mitigação serão mais eficientes para proteger a vida das pessoas e dos animais. Este estudo mostra que as colisões veiculares com fauna não são simplesmente uma fatalidade. Ela é, sim, uma tragédia anunciada”.
Em 3 anos, 2,1 mil carcaças de animais foram encontradas no Estado
O atropelamento de animais coloca em risco a vida de todos. O resultado foi o registro de 2.159 carcaças de animais silvestres de grande porte em três anos, mais especificamente de anta, tamanduá-bandeira e capivara, e que morreram atropelados. Um número assustador e que coloca em risco a vida de todos.

A coleta destes dados ocorreu em apenas 15% das rodovias pavimentadas de Mato Grosso do Sul, ou seja, se os números forem ampliados para todas as estradas sul-mato-grossenses e até mesmo para o Brasil, o impacto deste problema será muito maior e alarmante, comprovando a necessidade e a importância da implementação de diversas medidas de mitigação.
Um assunto a ser tratado pelo setor público e a sociedade civil De acordo com o fundador do ICAS, Arnaud Desbiez, o monitoramento das rodovias serviram de base para a modelagem deste novo estudo, que classificou uma grande extensão da malha
rodoviária de MS como prioritária para mitigação. Com isso, a pesquisa oferece importantes informações com o objetivo de proporcionar uma melhor segurança viária para as pessoas e à biodiversidade.
“É preciso que haja o diálogo entre os diferentes setores público, privado, instituições de pesquisas e sociedade civil, para que haja um consenso sobre a priorização, especialmente no que diz respeito a melhoraria no processo de licenciamento ambiental, que deve, obrigatoriamente, incluir informações e orientações embasadas cientificamente, sobre onde as medidas de mitigação devem ser implementadas primeiro”, ressaltou o presidente do ICAS.
Além do estudo realizado, os pesquisadores do ICAS têm divulgado os dados para os diferentes setores da sociedade. A equipe participa de eventos e reuniões que envolvem a concessão e a privatização de estradas e rodovias, começando pela BR-163, que atualmente encontra-se em fase de discussão proposta pela ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres).
O trecho que está sendo debatido é chamado de “Rota Pantanal”, e tem extensão de 379,6 quilômetros, do entroncamento com a BR-262, em Campo Grande, ao fim da Ponte Rio Correntes, na divisa com Mato Grosso, e que possui um alto índice de colisão veicular com fauna e diversos pontos críticos para a implementação de medidas para redução desses atropelamentos.
Em 2021, foi lançado o “Manual de Orientações Técnicas para Mitigação de Colisões Veiculares com Fauna Silvestre nas Rodovias Estaduais do Mato Grosso do Sul”, uma publicação do ICAS elaborada em parceria com a Secretaria de Infraestrutura do Estado de Mato Grosso do Sul (Seinfra), Agência Estadual de Empreendimentos de Mato Grosso do Sul (Agesul), Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) e Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (Uems).
PROTEÇÃO ANIMAL
Ação deverá atender cães e gatos de moradores e protetores independentes do distrito
PARADA LEGAL
Crime aconteceu por volta das 3h11 de sexta-feira, no bairro Arara Azul; estabelecimento teve prejuízo após porta dos fundos ser arrombada
Voltar ao topo