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Meio Ambiente

Mudanças climáticas podem levar anfíbios à extinção no Pantanal em 75 anos

Estudo do pesquisador Diego Santana aponta para redução de 27% das espécies no Pantanal

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Um estudo desenvolvido pelo Inbio (Instituto de Biociências) da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul), em parceria com outras instituições acadêmicas, revela que até 27% das espécies de anfíbios do Pantanal podem desaparecer até 2100 devido às mudanças climáticas. Essa projeção, que pode afetar até três em cada dez espécies da região, preocupa especialistas, uma vez que o ecossistema pantaneiro é um dos mais biodiversos do mundo.

De acordo com Diego Santana, coautor do estudo e professor do Inbio, a crise hídrica, os incêndios florestais e a degradação ambiental aumentam a vulnerabilidade dos anfíbios, que dependem diretamente da água e dos pântanos para sobreviver. Ele alerta que a extinção dessas espécies afetaria não só o equilíbrio ambiental, mas também a economia, principalmente o setor agrícola. "Se os anfíbios desaparecerem, perderemos um controle natural de pragas, o que pode acarretar prejuízos para culturas como soja e milho", destaca Santana.

A pesquisa destaca que as projeções climáticas variam conforme os cenários de emissões de gases de efeito estufa. Em um cenário mais otimista, estima-se que a área de ocorrência dos anfíbios será reduzida em 41% até 2100. Para o agronegócio, a ausência desses animais pode significar o aumento de pragas que, hoje, são controladas pelos sapos, rãs e pererecas, impactando diretamente as lavouras.

O estudo também revela que, mesmo nas áreas protegidas do Pantanal, as mudanças climáticas podem comprometer a eficácia dessas reservas para a conservação das espécies. O Pantanal abrange a maior área úmida tropical contínua do mundo, mas menos de 5% da região está dentro de unidades de proteção ambiental. As espécies mais afetadas são as que habitam áreas que estão sendo pressionadas pela expansão agrícola, desmatamento e incêndios. O impacto ambiental de incêndios como o de 2020, que destruiu 3,8 milhões de hectares no Pantanal, é uma das maiores ameaças ao ecossistema local.

Santana cita o exemplo da espécie Melanofrimiscus furvogutatus, endêmica de Porto Murtinho, que corre risco de extinção caso medidas urgentes não sejam adotadas. Ele enfatiza a importância de fortalecer as áreas de preservação ambiental, como as terras altas da Bacia do Alto Paraguai, que são essenciais para a manutenção da biodiversidade.

Além disso, o estudo sugere que a ampliação da rede de unidades de conservação e o monitoramento rigoroso de áreas já protegidas podem ajudar a mitigar os danos. No entanto, Santana alerta que a falta de estudos consolidadores e a necessidade de melhorar a fiscalização nessas áreas ainda são desafios a serem enfrentados.

As mudanças climáticas não afetam apenas a fauna do Pantanal, mas também o ambiente ao seu redor. "O desaparecimento dos anfíbios representa uma perda cultural e ambiental significativa. A ausência dos sons dos sapos e o desaparecimento das cores vibrantes das espécies são sinais de um ecossistema que está em declínio", lamenta o pesquisador.

Em um futuro próximo, a perda desses animais pode também afetar outros ecossistemas e, possivelmente, levar à extinção de outras espécies, caso as mudanças no clima não sejam mitigadas. A preservação das espécies do Pantanal, portanto, está intimamente ligada à preservação do próprio ecossistema e à sustentabilidade das atividades humanas na região.

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