Setembro Amarelo
Somente este ano, até o fechamento desta matéria, 212 pessoas cometeram suicídio no estado, sendo 161 homens
Na última década, Mato Grosso do Sul registrou um dado alarmante no campo da saúde mental: os homens se suicidaram 270% mais que as mulheres. Enquanto 458 mulheres tiraram a própria vida nesse período, entre os homens foram 1.695 ocorrências, segundo dados da Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública, de 2015 a 2025. Antes que uma pessoa próxima à sua convivência entre para as estatísticas, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) reforça a necessidade de olhar com mais atenção para os fatores que tornam a população masculina mais vulnerável ao suicídio.
Somente este ano, até o fechamento desta matéria, 212 pessoas cometeram suicídio no estado, sendo 161 homens. No contexto da campanha Setembro Amarelo, Lei Estadual 4.777/2015 de autoria da deputada Mara Caseiro (PSDB), os números de Mato Grosso do Sul demonstram que a saúde mental masculina precisa ser debatida sem estigmas, incentivando espaços de acolhimento e estratégias de cuidado específicas para esse público. Cada vida interrompida representa uma perda irreparável para famílias e comunidades, ressaltando a urgência de ações efetivas de prevenção.
“Falar sobre prevenção ao suicídio é um compromisso de toda a sociedade. Não se trata apenas de uma data no calendário, mas de um movimento de conscientização que salva vidas. O silêncio, muitas vezes, é o maior inimigo de quem sofre. Por isso, precisamos quebrar tabus, ampliar os espaços de acolhimento e levar informação às escolas, famílias e comunidades. A campanha existe para lembrar a todos que pedir ajuda é um ato de coragem e que ninguém precisa lutar sozinho contra a dor e a depressão”, argumentou a deputada Mara Caseiro.
O dado revela uma disparidade preocupante e os especialistas apontam que a dificuldade em buscar ajuda psicológica e a resistência em demonstrar fragilidade ainda são barreiras comuns entre homens. A cobrança social muitas vezes impede que eles reconheçam sinais de sofrimento emocional e procurem apoio.
A psicóloga e psicanalista Kerolly Lopes ressalta a necessidade de prestar atenção aos primeiros sinais. “As mulheres têm uma autopercepção de si, da sua saúde mental, da sua saúde corporal, dos seus sentimentos de uma forma mais aguçada. Com isso elas podem tratar de forma mais rápida os sintomas depressivos. Ao passo que nos homens, essa falta de percepção, lá do comecinho dos sintomas, fica mais camuflado, perante às preocupações do dia a dia, por serem mais racionais, por não pensarem tanto nos sentimentos. Então quando chega a esses pensamentos suicidas, a depressão já está muito profunda. Eles se assustam e não têm mais tanto tempo para se tratar”, explicou.
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