Aos 60 anos, José Amorim navegou pelo Rio Paraguai para garantir direito como pescador artesanal
Karina Aguilar
Publicado em 17/09/2025 às 16:34
Atualizado em 10/09/2026 às 14:30
A bordo de sua embarcação e com um sonho em mente, o piloteiro José de Oliveira Amorim, de 60 anos, navegou por quase três horas pelas águas do rio Paraguai para garantir um direito aguardado há décadas: a aposentadoria como pescador artesanal. Morador da comunidade de Barra de São Lourenço, na fronteira de Mato Grosso do Sul com a Bolívia, ele aproveitou a passagem da Justiça Itinerante para dar entrada no benefício do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
“Agora consegui ser atendido aqui, perto de casa”, contou José, que já havia tentado atendimento anteriormente na agência do INSS em Corumbá, sem sucesso. Determinado, ele não perdeu a nova oportunidade. “No ano passado fui até Corumbá, onde soube que haveria uma nova edição do atendimento itinerante”, relembra o pescador, que foi um dos primeiros a chegar ao local.
Com mais de 20 anos de pesca artesanal, José Amorim preenche os critérios para a aposentadoria por idade rural, tendo contribuído com o sistema previdenciário por mais de 15 anos por meio do recebimento do seguro defeso — benefício concedido durante o período de proibição da pesca. “Agora é esperar a resposta do INSS, mas só de ter conseguido ser atendido aqui já valeu o esforço”, afirmou.
Serviço
A ação, que une o INSS, a TRF3 (Justiça Especial Itinerante da 3ª Região) e outras instituições públicas, tem como objetivo levar cidadania a regiões remotas do Pantanal sul-mato-grossense. O atendimento em Barra de São Lourenço ocorreu no dia 15 de setembro e faz parte de uma programação que inclui ainda as comunidades de Paraguai Mirim (dias 16 e 17) e Jatobazinho (dias 18 e 19).
A logística da expedição conta com apoio da Marinha do Brasil, que disponibilizou dois navios para a travessia: um com servidores, magistrados e estudantes, e outro — o Navio de Assistência Hospitalar “Tenente Maximiano” — equipado para atendimentos médicos e odontológicos.
Durante os dias de atendimento, pescadores e trabalhadores rurais podem solicitar diversos benefícios previdenciários, como aposentadorias urbana e rural, auxílio-doença, pensão por morte, salário-maternidade e o seguro defeso. Equipes técnicas realizam cadastros, perícias, consultas e audiências em campo.
Além das três comunidades principais, moradores de outras localidades vizinhas, como Porto São Francisco, Tuiuiú, Pioval, Capim Gordura, Domingos Ramos, Ilha Verde e Porto Amolar, também podem ser atendidos.
A iniciativa reforça o papel do poder público na inclusão de populações isoladas, promovendo o acesso aos direitos sociais com respeito às realidades da população pantaneira. Para muitos ribeirinhos, como José Amorim, é mais que uma prestação de serviço — é a chance de ter a dignidade reconhecida após anos de trabalho às margens do rio.

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